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Lume Brando

11
Dez17

Sugestão de presente caseiro para o Natal [Alperces com chocolate negro]

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Parece-me incrível que faltem apenas duas semanas para o Natal. Normalmente, começo a entrar no espírito da quadra de cada ano fazendo muitos planos: de decoração, de receitas para as festas de família, de presentes comestíveis. Mas depois, os dias começam a atropelar-se e nunca consigo fazer tudo o que tinha idealizado.

 

Este ano, com o atraso das obras que estamos a fazer no nosso apartamento – era suposto já estarem prontas, mas ainda nem sequer sei se poderei acordar no dia de Natal em casa, o que me tem deixado os nervos em franja - os planos ficaram ainda mais em suspenso.

 

Estando a viver em casa de um dos meus irmãos, tenho uma cozinha à minha disposição, mas fazem-me falta as minhas coisas, o meu forno, as minhas formas, os meus utensílios. Digamos que trouxe comigo um kit de sobrevivência, mas estou limitada a receitas mais simples, sobretudo no que toca a bolos e sobremesas.

 

Fazer bolachas, por exemplo, não é muito prático, pois não tenho uma grande área de trabalho. Pelo que andei a pensar numa lembrança de Natal que não exigisse grande “produção”, mas que fosse deliciosa. E aqui está ela: alperces secos banhados em chocolate negro.

 

Aviso já de que são altamente viciantes, por isso sugiro que façam uma dose bem generosa, para poderem ficar com alguns. Pensando bem, nem é preciso o pretexto do Natal e dos presentes para experimentar esta coisa boa: estes alperces com chocolate funcionam na perfeição como um snack ou como um pequeno mimo para acompanhar o café. Yummy!

 

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ALPERCES SECOS COM CHOCOLATE NEGRO

Para 50

 

50 alperces secos – cerca de 400 g

160 g de chocolate negro

 

Forre um tabuleiro com papel vegetal. Leve a derreter o chocolate em banho-maria.

Mergulhe metade de cada alperce no chocolate e coloque a secar sobre o papel vegetal. Repita com os restantes alperces. Deixe secar bem o chocolate antes de guardá-los em frascos ou sacos de celofane.

 

06
Dez17

O peixe que veio do frio [Bacalhau da Islândia à moda da minha mãe]

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Já há muito que queria partilhar convosco uma das receitas de família que me são mais queridas. O “Bacalhau coberto” da minha mãe - e o nome do prato é mesmo assim, curto e simples - é uma instituição. Desde pequena que o vejo a ser servido na véspera de Natal - feito sobretudo a pensar nos mais novos, que torciam o nariz ao bacalhau cozido com todos. Mimos de mãe e de avó.

 

E se é verdade que volta e meia a minha mãe prepara esta receita, é no Natal e nos dias mais frios que esta comida de conforto nos sabe melhor. Desafiada pelo Bacalhau da Islândia a apresentar uma receita onde o fiel amigo fosse a estrela*, lembrei-me então de cozinhar o ‘Bacalhau coberto’, elogiado por todos os que já o provaram. Uma receita que tem atravessado gerações, pois a minha mãe aprendeu a fazê-la com a minha avó paterna.

 

É natural que a minha mãe lhe tenha dado o seu toque pessoal e eu, depois de apontar a receita, decidi também introduzir um ou outro detalhe, que não altera em nada a sua essência: puré, cebolada em azeite generoso, bacalhau cozido lascado, ovo cozido, puré, azeitonas. Ou seja, um empadão de bacalhau, mas que já a minha avó Luísa designava por “Bacalhau coberto”.

 

A qualidade do bacalhau é essencial para a qualidade final da receita e com o Bacalhau da Islândia, não há como não ficar um prato delicioso. Não é à toa que lhe chamam “o melhor bacalhau do mundo”. Pescado de forma sustentável nas águas geladas islandesas e salgado de acordo com o saber transmitido de geração em geração nas aldeias piscatórias desta ilha do norte da Europa, o Bacalhau da Islândia apresenta uma lasca perfeita e um sabor irrepreensível, depois de corretamente demolhado.

 

Um peixe que nos chega de um país frio e cheio de maravilhas naturais (a Islândia está no topo da minha wishlist de viagens), e que vem aquecer as nossas mesas com um mundo de possibilidades em termos de receitas. Este “Bacalhau coberto” é apenas uma das mil e uma formas de cozinhar este ingrediente nobre, e o meu desejo é que que sirva de mote para momentos felizes à volta da mesa.

 

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BACALHAU COBERTO

 

Para 5/6 pessoas

 

Para o puré:

1 kg de batatas descascadas e cortadas aos pedaços

200 g de cenoura descascada e ralada

400 ml de leite meio-gordo

Sal, pimenta preta e noz-moscada qb

1 colher de sopa bem cheia de manteiga

 

Para o recheio:

3 lombos de Bacalhau da Islândia demolhado

4 dentes de alho

2 folhas de louro

1 cebola pequena + 2 cebolas grandes

3 ovos

2 colheres de sopa de pimento vermelho em conserva

Azeite

 

Para finalizar:

1 ovo batido

1 punhado de azeitonas descaroçadas

 

Comece por fazer o puré, usando um robot de cozinha ou uma panela tradicional. Leve a cozer no leite a batata e a cenoura (esta deve ser ralada, para que fique cozida ao mesmo tempo que a batata), temperando com sal, pimenta preta e noz-moscada. Quando estiver tudo bem cozido, junte a manteiga e reduza a puré.

 

Entretanto leve a cozer os lombos de bacalhau com um dente de alho esmagado, uma cebola e uma folha de louro. Noutro tacho com água, leve a cozer três ovos – coloque na água um fio de vinagre para que depois seja mais fácil descascá-los.

 

Numa frigideira ou tacho baixo e largo, coloque um bom fundo de azeite e leve a refogar as restantes cebolas cortadas em meias-luas e os restantes dentes de alho laminados e uma folha de louro. Deixe cozinhar até a cebola estar bem macia e a ficar translúcida.

 

Pré-aqueça o forno nos 180º. Antes de começar a montar o empadão, lasque o bacalhau, eliminando peles e espinhas e descasque e parta os ovos em rodelas.

 

Pincele uma assadeira com azeite e faça uma camada com cerca de metade do puré. Regue com a maior parte da cebolada e faça uma camada com as lascas do bacalhau. Disponha por cima as rodelas de ovo cozido, espalhe tirinhas de pimento vermelho assado em conserva e salpique com mais um pouco da cebolada. Tape com o restante puré.

 

Espalhe por cima algumas azeitonas descaroçadas e pincele com ovo batido. Leve ao forno até sentir que está bem quente, a borbulhar e com uma cor dourada. Sirva com legumes cozidos.

 

Notas:

- Este é daqueles pratos práticos de forno, que pode ser preparado com antecedência e depois é só colocar no forno, sem stress ou cozinha desarrumada;

- Continuo sem cozinha (e sem casa, na verdade). Esta sessão fotográfica foi, por isso, feita em casa dos meus pais. O que, tendo em conta a receita, fez todo o sentido ;)

 

*Post em parceria com Bacalhau da Islândia

 

 

 

 

 

08
Mai17

Um salto a Melgaço [e um pão de ló húmido aldrabado]

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Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

A convite da Essência do Vinho, co-produtora, juntamente com a Câmara Municipal de Melgaço, da Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço e editora da Revista de Vinhos, no último fim de semana de abril integrei uma press tour por esta região, que para além da visita à Feira, incluiu uma série de outras experiências enogastronómicas.

 

Já confessei aqui no blogue o meu gosto pelo Minho. Apesar de fugir mais vezes para o Minho litoral, há alguns anos passei um excelente fim de semana em Melgaço, que ainda hoje recordo, e foi por isso com muito prazer que regressei a esta terra que tão bem sabe receber.

 

A Festa do Alvarinho e do Fumeiro de Melgaço é um evento que se realiza desde 1995, e que de uma pequena mostra local de produtos se transformou num grande certame com impacto nacional. Na edição deste ano, para além da presença de 32 produtores de vinho Alvarinho e mais de uma dezena de marcas de enchidos e outros produtos gastronómicos, houve também a habitual participação de restaurantes do concelho, provas comentadas, showcookings, concurso de produtos e animação musical, com diversos concertos de música popular.

 

O nosso roteiro começou, no entanto, não pela Festa mas por uma visita à Quinta de Soalheiro, a primeira marca de Alvarinho de Melgaço (as primeiras vinhas foram plantadas em 1974) e uma das mais importantes insígnias nacionais de vinho desta casta nobre. Aqui, pudemos provar diferentes vinhos da quinta e se alguns eu já conhecia, foi bom poder provar o Soalheiro Granit, o Oppaco e os vinhos biológicos da marca - o Terramater, já no mercado, e o Natur, que dentro em breve entrará na distribuição.

 

Os vinhos biológicos representam um desafio audacioso para a equipa técnica da Quinta do Soalheiro, não só pelas vinhas, que têm de ser cultivadas de acordo com as regras da agricultura biológica, mas pelos passos seguintes, nomeadamente a estabilização do vinho sem adição de sulfitos. Uma aposta que parece estar a dar, literalmente, bons frutos.

 

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Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

De seguida, rumámos à Quinta de Folga, um projeto igualmente ligado à família Cerdeira, da Quinta de Soalheiro, mas onde a especialidade não são os vinhos, mas sim o presunto e os enchidos de porco Bísaro, uma espécie animal autóctone e que os mentores do projeto ajudaram a recuperar. Foi aqui que almoçámos, numa mesa farta - tanto de comida caseira e típica da região, como de vinhos da marca Soalheiro, incluindo o seu espumante bruto de Alvarinho e o adocicado 9% Dócil, ideal para acompanhar a sobremesa. Claro que não podiam faltar o presunto e os enchidos da casa, feitos de porco Bísaro criado na quinta.

 

A qualidade é transversal a todos os produtos, mas os holofotes viraram-se para a alheira e para o presunto: irresistíveis. Estava tudo muito bom, incluindo as sobremesas, mas sobre isso - ou melhor, sobre o pão de ló da D. Palmira - falarei mais no final do post, junto da receita que vos trago.

 

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 Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Se ficaram com água na boca, saibam que é possível almoçar na Quinta de Folga, basta fazerem a reserva com antecedência, para um grupo mínimo de 8 pessoas.

 

Para a parte da tarde, estava agendada a visita à Festa, bem como um showcooking com a Chef Justa Nobre, que nos cozinhou carne de cachena - bovino cujo habitat natural é a alta montanha e que apesar de ser criado um pouco por todo o país, é no Alto Minho que se encontra a maior concentração de produtores, bem como o selo "Carne da Cachena da Peneda DOP". Para acompanhar esta carne tenra e suculenta, a Chef Justa preparou 'cuscos' de Vinhais, uma especialidade que eu desconhecia, mas à qual fiquei rendida.

 

Ainda que a forma e a matéria-prima remeta para o vulgar cuscuz, o 'cusco' de Vinhais é feito manualmente de acordo com uma técnica antiga e rudimentar e com uma farinha de trigo específica. Ao ser cozinhado, larga uma espécie de goma, dando origem a um acompanhamento muito cremoso, uma espécie de risotto, de comer e chorar por mais.

 

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  Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Mas não se pense que a ementa do primeiro dia ficou por aqui: por incrível que pareça, ainda teve de haver estômago para jantar num dos restaurantes mais conceituados de Melgaço, a Adega do Sossego, cuja mesa tivemos o prazer de partilhar com a Chef Justa e o seu simpático marido, José Nobre. Apesar do mais acertado ter sido fazer um passeio noturno por Melgaço, para mais facilmente se fazer a digestão de tantos repastos, após o jantar recolhemos ao Hotel Monte Prado, pois no dia seguinte esperava-nos mais uma série de visitas e provas.

 

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   Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

No dia seguinte, a primeira paragem foi no lugar de Vido, em Castro Laboreiro. Missão? Fazer pão castrejo com a ajuda de três senhoras da aldeia. Com paciência, simpatia e muitas histórias antigas pelo meio, a D. Isalina (na verdade chama-se Isolina, mas toda a gente a trata por Isalina), a D. Almerinda e a D. Rosa, mostraram-nos como se faz este pão, antigamente cozido nos fornos a lenha comunitários.

 

Uma experiência deliciosa, não só pelo pão, que trouxemos connosco, ainda quente, mas sobretudo pelo contacto com estas pessoas tão genuínas e bem-dispostas. Um verdadeiro exemplo de aceitação e gratidão, face às suas vidas duras e ao isolamento de viverem numa aldeia quase sem ninguém. Caso queiram conhecer estas senhoras e fazer um workshop de pão castrejo, contactem a empresa de animação turística Montes de Laboreiro. Se vos calhar a guia Safira, estarão bem entregues!

 

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   Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

Depois de um passeio pela aldeia de Castro Laboreiro e de um retemperador bacalhau com broa (confesso que já precisava de fazer uma pausa na carne), no restaurante panorâmico Miradouro do Castelo, partimos para a freguesia de Prado, para a última visita desta press tour: o objetivo era conhecer a Prados de Melgaço, uma empresa jovem mas já premiada, que combina a criação de cabras para obtenção de leite com a produção de queijos artesanais. Aqui, as cabras são criadas em excelentes condições, onde não falta música relaxante e um massajador, para que os animais se sintam felizes, produzam mais leite e de melhor qualidade.

 

Até os cães que por ali passeiam têm uma função: fazer com que as cabras se sintam protegidas. Este cuidado e dedicação são replicados na fase de produção, e o resultado só podia ser um queijo de cabra de qualidade superior, seja na versão fresca, creme para barrar, camembert ou nas versões curadas, com destaque para o 'Vinho Alvarinho e Pimentão', um queijo que durante a fase de maturação é mergulhado por diversas vezes numa massa de pimento vermelho e vinho Alvarinho. Para já, a produção é ainda limitada e não é fácil encontrar estes produtos fora da região do Minho, mas pode sempre dar um passeio até Melgaço e passar pela loja da queijaria.

 

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  Créditos fotográficos: Daniel Luciano / Essência do Vinho 

 

E depois deste longo relato, ainda têm barriga para uma receita de pão de ló? No almoço que nos foi servido na Quinta de Folga, a minha sobremesa favorita foi o pão de ló - era um pão de ló húmido diferente do habitual, pois parecia levar por cima um creme de ovos macio e espumoso. Tinha sido feito pela D. Palmira, a matriarca da família Cerdeira, e estava fantástico.

 

À falta de receita, decidi replicá-lo numa versão batoteira: peguei na receita da massa da torta de Viana, cozi-a numa forma redonda e - estão a ver aquela cavidade que os bolos com massa de pão de ló costumam ganhar depois de arrefecidos e que nos deixam tantas vezes desiludidos? Pois, preenchi-a com a 'minha' receita de doce de ovos todo-o-terreno. Não ficou igual ao da D. Palmira, mas deu uma rica sobremesa no almoço do domingo seguinte! Aqui vai a receita.

 

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PÃO DE LÓ HÚMIDO ALDRABADO

 

6 ovos, separados
Raspa de limão qb
125 g de açúcar
100 g de farinha sem fermento
Doce de ovos*


Pré-aqueça o forno nos 200º.
Forre uma forma redonda com cerca de 22 cm de diâmetro com papel vegetal e unte com manteiga ou spray desmoldante. Bata bem as gemas com o açúcar e a raspa de limão (usei colher de pau e bati cerca de 5 minutos).
Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura das gemas.

Adicione a farinha e envolva bem para que fique integrada na massa.
Verta sobre a forma, alise e leve ao forno cerca de 25/30 minutos ou até o palito sair seco do seu interior.

Retire do forno, deixe arrefecer e ganhar a "cova". Antes de servir, espalhe o doce de ovos por cima.

 

*DOCE DE OVOS

(receita do chef Luís Francisco)

6 gemas + 1 ovo inteiro
250 g de açúcar
125 g de água
1 pedaço de casca de limão
1 pau de canela


Num tachinho,  levar ao lume a água, o açúcar e os aromatizantes (limão e canela).
Sem mexer, deixar levantar fervura. Quando começar a borbulhar (bolhas grandes em toda a superfície da calda), contar 3 minutos. Retirar do lume, descartar o limão e a canela e verter em fio sobre as gemas e o ovo previamente desfeitos numa taça de metal, mexendo sempre. Coar para o tacho e levar ao lume até engrossar, cerca de 10/15 minutos, mexendo sempre - uso um batedor de varas - para não ganhar grumos e sem deixar ferver. Colocar num frasco e deixar arrefecer antes de usar. Pode ser conservado no frigorífico durante várias semanas.

 

 

28
Fev17

Uma receita rara [Bolo de festa adequado a crianças com PKU]

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Hoje assinala-se o Dia das Doenças Raras. Na verdade, a data oficial é o dia 29 de fevereiro, precisamente por ser um dia 'raro', mas como 2017 é um ano comum, antecipa-se para o dia 28.

 

São imensas as patologias que cabem na definição lata de "doenças raras" e que colocam enormes desafios às crianças e aos adultos portadores dessas doenças, bem como às suas famílias e cuidadores. Uma dessas condições dá pelo nome abreviado de PKU ou, em bom português, fenilcetonúria.

 

No Estava Tudo Ótimo! quis incluir uma receita adequada a crianças com fenilcetonúria. Tinha contactado recentemente com a doença - que limita imenso a alimentação de quem é portador - e ficado extremamente sensibilizada com o esforço feito pelas famílias, sobretudo pelas mães destas crianças, no sentido de proporcionarem uma alimentação completa, variada e saborosa aos seus filhos, sem colocar em causa a sua saúde. 

 

Tal como explico no livro, a PKU - do inglês PhenylKetonUria - é uma doença genética grave, causada pela não produção ou funcionamento insuficiente da enzima capaz de metabolizar a fenilalanina - o aminoácido presente nas proteínas. Isto significa que as pessoas com PKU não podem ingerir proteínas de nenhum tipo ou apenas o podem fazer em quantidades mínimas e controladas. Se a sua alimentação não for clínica e rigorosamente supervisionada, podem surgir danos cerebrais graves e irrecuperáveis.

 

Leite e derivados, pão, carne, peixe, ovos, leguminosas, soja: todos estes alimentos, entre muitos outros, têm de estar ausentes ou praticamente ausentes da dieta das crianças com PKU. Como devem imaginar, o desafio para os pais e para as famílias de crianças com PKU é tremendo. Esta é uma doença rastreada no famoso ‘teste do pezinho’, à nascença, o que tem permitido que estas crianças, com o apoio de médicos especializados e o já referido empenho admirável dos seus pais e familiares, tenham hoje em dia uma vida normal e sem consequências a nível intelectual.

 

Existem alguns produtos que são disponibilizados a estas famílias, nomeadamente suplementos alimentares, massa e farinhas hipoproteicas, mas há toda uma ginástica obrigatória de quantidades de ingredientes e pesagem de produtos, para não falar da limitação que se coloca quando se pretende viajar ou fazer uma refeição fora.

 

Em conversa com mães de crianças com PKU dei conta de que as festas de anos dos outros miúdos podem ser também uma situação crítica, devido ao leque restritivo daquilo que as primeiras podem comer. Mas em diálogo com os pais, podemos encontrar soluções para que não se sintam excluídas. Por exemplo: pipocas (simples), batatas fritas, gelatinas vegetais, gomas, chupa-chupas e rebuçados de fruta, são guloseimas que os miúdos com PKU podem comer, para além de qualquer tipo de fruta fresca.

 

No livro, optei por incluir um bolo que todos pudessem comer. Afinal, o bolo é o rei da mesa e convém que seja adequado a todos os convidados. Uma receita que me foi passada com muito carinho por duas mães de crianças com esta patologia, por quem tenho a mais profunda admiração, e à qual apenas fiz umas ligeiras adaptações, sob a sua supervisão.

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BOLO DE ANIVERSÁRIO ESPECIAL

Do livro Estava Tudo Ótimo!

 

Para o bolo de laranja e baunilha

 

175 g de açúcar

100 g de margarina ou manteiga amolecida

60 g de maionese de compra (c/ovo na sua composição)

1 colher de chá de extrato de baunilha

Raspa de 1 laranja

160 g de farinha hipoproteica

160 g de amido de milho

1 pacote de pudim ‘Boca Doce’ de baunilha

1 colher de sobremesa de fermento em pó

300 ml de leite de arroz

 

Para a cobertura e recheio de creme de manteiga achocolatado

 

420 g de açúcar em pó

160 g de manteiga ou margarina

60 ml de água a ferver

10 g de cacau em pó

10 g de Nesquick

Raspa de ½ laranja

 

Para a decoração:

Jelly beans e velas coloridas

 

Pré-aqueça o forno nos 180º

Unta bem com manteiga e polvilhe com farinha hipoproteica ou amido de milho duas formas redondas com 18 cm de diâmetro. Forre o fundo com papel vegetal e volte a untar/polvilhar.

Numa taça grande, bata o açúcar com a manteiga, a maionese, a raspa de laranja e o extrato de baunilha. Noutra taça, misture a farinha com o amido de milho, o pudim e o fermento. Alternadamente, vá juntando esta mistura e a bebida de arroz à mistura anterior, de forma a que a última adição seja de farinha. Divida pelas duas formas e leve a cozer durante cerca de 40 minutos. Vá vigiando e faça o teste do palito antes de retirar do forno: se sair seco depois de espetado no centro, está pronto.

Retire, deixe arrefecer um pouco e desenforme com cuidado sobre papel vegetal.

 

Prepare a cobertura e o recheio: dilua o cacau em pó e o Nesquick na água quente, mexendo bem. Deixe arrefecer. Bata a manteiga com a batedeira até estar bem macia e vá juntando o açúcar em pó (pode fazer isto num processador de cozinha numa velocidade média alta, sem a borboleta). Junte o molho de chocolate aos poucos e continue a bater até estar bem uniforme. Por fim, junte a raspa de laranja. Confirme a consistência: deve estar um creme macio e consistente, mas fácil de barrar. Se achar que está demasiado espesso, junte um pouco de leite de arroz e volte a bater.

Coloque um pouco de creme no centro do prato de servir e coloque por cima um dos bolos, recheie com creme e coloque em cima o outro bolo (faça de modo a que os lados mais perfeitos dos bolos fiquem na base e no topo). Espalhe o creme com uma espátula por todo o bolo, retirando o excesso com uma espátula ‘raspadora’. Com o creme que sobrar, faça um decoração simples com saco e bico pasteleiro. Termine com os jelly beans e as velas coloridas.

 

 

Notas:

 

- Pode parecer estranho o uso da maionese com ovo na massa do bolo, mas a quantidade de proteína vai ser tão reduzida por fatia de bolo, que é aceitável, sendo um elemento importante na receita. Use maionese de compra, pois nesta as quantidades dos ingredientes estão parametrizadas;

 

- A farinha hipoproteica tem um sabor característico, que para quem não conhece pode não ser o mais agradável, mas nesta receita esse risco está diminuído pela presença do amido de milho, que aqui substitui metade da farinha da receita original; os bolos com este tipo de farinhas, sem glúten, têm alguma tendência a rachar, por isso desenforme com cuidado e manuseie o bolo o menos possível.

 

 Ah! No livro, encontram mais receitas para compor uma mesa catita de lanche infantil!

 

26
Ago16

O bom sabor das férias.





























De  volta à rotina, depois de uns deliciosos dias de férias em família, trago-vos receitas da época, perfeitas para encerrarmos agosto em grande.


Todos os nossos verões têm ficado marcados por uma ou duas receitas, que as férias ajudam a colocar na categoria dos hits desse ano. Foi o caso desta já antiguinha salada de figos, presunto e queijo de cabra, dos granizados de espumante no ano que em que comprei a Bimby, ou dos tomates-cereja assados, que ainda hoje são das minhas iguarias favoritas.

2016, por sua vez, vai ficar associado a estes camarões crocantes [com maionese de coentros] e a esta limonada de pepino, tantas foram as vezes que os fiz. Uma dessas ocasiões foi no Fresquinho, um evento gastronómico integrado no Festival oito24, em Espinho, no qual tive o prazer de participar com um showcooking, no início de agosto.

Sei que sou suspeita, por gostar tanto de cozinhar (e de comer!), mas acredito que as memórias ligadas aos sabores e aos aromas da comida são aquelas que nos proporcionam as recordações mais reconfortantes. Por exemplo, há um cheiro característico de café, que só raramente vem até mim, e que me faz recuar aos dias em que eu, pequenita, brincava em casa de uns tios queridos. É uma sensação tão boa. Um pouco nostálgica, é certo, mas capaz de me transportar a momentos muito felizes.

Com as receitas das férias é um pouco a mesma coisa e não há fotografia que chegue ao poder interior de uma memória cheia de sabor, sobretudo se tiver sido construída num momento de partilha e 'pura vida', para usar a expressão da Costa Rica, um país que quero muito visitar.

Mas claro, as imagens ajudam a manter as lembranças vivas, e cá estão elas: as fotos e as receitas dos pedidos que mais vezes chegaram à cozinha do Lume Brando por estes dias.

Espero que gostem e, já agora, me contem quais as vossas receitas favoritas deste verão. E fica a promessa: em breve partilho as outras duas receitas que levei ao showcooking de Espinho: guacamole com pão de milho torrado. Yummy!

 



 

 

CAMARÕES CROCANTES NO FORNO COM MAIONESE DE COENTROS
P/ cerca de 4 pessoas como entrada/aperitivo
 
500 g de camarão60/80, idealmente com casca
1 chávenaalmoçadeira de pão rústico ralado em casa (aromatizado com alho e salsa, por ex.)
1 fio deazeite
Sal qb
Pimenta pretaacabada de moer qb
Raspas de limão qb
 
Para a maionese:
1 ovo àtemperatura ambiente
200 ml de óleode girassol
40 ml de azeiteextra virgem
1 colher desobremesa generosa de mostarda de Dijon
2 colheres desopa de coentros picados
1 colher de cháde ketchup (opcional, mas recomendável)
Raspa de limãoqb
Sal qb
Pimenta pretaacabada de moer qb
 
Pré-aqueça oforno nos 200º.
Descasque os camarões. Seque-os bem em papel de cozinha, coloque-os numa taça e envolva-os num fio deazeite. Tempere-os com um pouco de sal e pimenta preta, junte um pouco de raspa de limão e envolva-os por fim no pão ralado.
Coloque-os numtabuleiro grande, sem ficarem sobrepostos, e leve-os ao fornodurante cerca de 8 minutos. A meio da cozedura, vire os camarões para quefiquem crocantes por todo (os camarões devem ficar com uma textura al dente e opão ralado deve ficar seco e dourado). No último minuto, passe a assadeira para um nível superior e ligue a função grill com ventoinha, para acelerar e garantir que o pão ralado fica o mais crocante possível.
 
Entretanto, prepare a maionese.
Comece por picaros coentros e reserve.
Coloque o ovo nocopo da varinha mágica. Junte a mostarda, um pouco de sal e pimenta preta, oóleo e o azeite. Mergulhe a varinha mágica no copo, ligue-a e, lentamente, váemulsionando a mistura, num movimento de baixo para cima. Quando estiver bemligada, passe para uma taça e junte o ketchup, os coentros picados e as raspasde limão. Prove e retifique os temperos, se for caso disso. Sirva com oscamarões acabados de sair do forno.
 
Notas:
- Como repeti várias vezes a receita já depois de a ter testado e levado ao Fresquinho, fui fazendo ajustes e talvez não esteja totalmente igual à que foi facultada aos espetadores do festival;
- O passo de secar bem os camarões é fundamental para que fiquem crocantes;
- Se usarem camarão com casca, aproveitem as cabeças e as cascas para fazer um fumet simples e depois utilizem-no numa sopa de peixe ou marisco.





 

 

 
LIMONADA DE PEPINO
Para uma dose generosa, a servir num dispensador de bebidas
 
Cerca de 3 litros de água(de preferência fresca)
Sumo de 2 ou 3 limões, consoante o seu seu teor de sumo
1 pepino
Açúcar amarelo agosto
2 paus de canela (opcional)
Gelo
 
Descasque opepino como se fosse para salada, deixando algumas linhas de casca, e corte-o àsrodelas finas. Coloque-as num jarro grande ou dispensador de bebidas.
Junte o açúcar,os paus de canela partidos ao meio, o sumo de limão e a água fresca.
Mexa bem e prove para verse necessita de mais açúcar, mais água ou mais sumo de limão.
Deixe repousaruns 30 minutos, para que o sabor do pepino e da canela se difundam.
Junte bastante gelo, mexa bem esirva.
 
Notas:
- Como repeti várias vezes a receita já depois de a ter testado e levado ao Fresquinho, fui fazendo ajustes e talvez não esteja totalmente igual à que foi facultada aos espetadores do festival;
-  A adição do pepino transforma completamente a limonada, dando-lhe uma frescura extra surpreendente;
- A canela não é absolutamente essencial mas confere à limonada um toque exótico bastante interessante, sobretudo para quem gosta desta especiaria.

 

 






19
Dez15

Christmas mood.


















Gosto da dimensão mágica do Natal, mais viva e sentida, é certo, quando há crianças em casa ou na família.
Os brilhos, as cores, as músicas... Ainda que banais e vividos muitas vezes a correr, todos estes estímulos transmitem-me um certo conforto, uma esperança de que o que está menos bem pode melhorar, de que todas as chatices podem ser atenuadas, de que os meus problemas comparados com muitos outros são um passeio no parque.

Para além disso, e quem segue o Lume Brando já sabe, eu gosto muito do lado visual das festas e das celebrações. O Natal é sempre uma nova oportunidade para pensar em enfeites, etiquetas para presentes, mesas bonitas e bolos a condizer. Nem sempre (ou melhor, nunca) consigo pôr em prática tudo o que imagino, mas já me habituei e nos últimos anos não tenho sofrido tanto com a falta de tempo. Ter conseguido fazer este bolo e tirar estas fotos, mais cuidadas do que o habitual, já me deixou muito feliz.

O bolo é uma receita que a minha tia N. costuma fazer, do livro Tesouro das Cozinheiras, ao que consta o livro de cozinha mais vendido em Portugal, julgo que a primeira edição é dos anos 50. Chamamos-lhe bolo inglês, e a minha tia costuma fazê-lo numa forma retangular, de bolo inglês, mas segundo o livro chama-se 'bolo de Stº. António'. Inicialmente tinha pensado em colocar-lhe uma cobertura de glacé branco, a escorrer, mas depois achei que seria demasiado açúcar num bolo só, mesmo já tendo cortado à quantidade de açúcar da receita original, e optei por deixá-lo mais simples.

Pode parecer um bolo seco, mas não! É viciante, para quem gosta de texturas ricas, com as frutas cristalizadas e os frutos secos. Leva ainda vinho do Porto e é por isso um bolo que respira Natal, por entre cada migalhinha.

Boas Festas!















COROA DE BOLO INGLÊS

Para o bolo*:

190 g de açúcar
125 g de manteiga amolecida
4 ovos, separados
250 g de farinha
175 g de fruta cristalizada (pode misturar algumas passas e/ou sultanas)
75 g de miolo de noz e de amêndoa, partido grosseiramente
1 cálice de vinho do Porto
1 colher de sopa de fermento em pó

*Esta receita dá para 1 forma redonda de buraco pequena (14 cm na parte mais larga, base do bolo) e 1 bolo rectangular pequeno; se preferir faça, um bolo inglês de tamanho normal.


Para a decoração:

Cerca de 40 g de fruta cristalizada
Geleia ou mel para pincelar
Açúcar em pó para polvilhar

Ligue o forno nos 170º.
Numa tacinha, junte o fermento ao vinho do Porto e reserve.
Bata a manteiga e o açúcar até ficar em creme.
Junte as gemas, uma a uma. Bata as claras em castelo e junte ao preparado anterior.
Envolva a farinha e as frutas e os frutos secos (custa um pouco mexer a massa, mas é mesmo assim).
Por fim junte a mistura de vinho do Porto e fermento.
Mexa bem, verta na(s) forma(s) e leve a cozer cerca de 55 minutos (se fizer dois bolos, o bolo mais pequeno irá ficar pronto mais depressa, esteja atento e faça o teste do palito: assim que sair seco, retire o(s) bolo(s) do forno.
Aguarde uns minutos, desenforme e deixe arrefecer totalmente.
Pincele o topo do bolo com mel ou geleia e disponha quadradinhos de fruta cristalizada.
Polvilhe com açúcar em pó (ou açúcar anti-humidade, que garante um efeito mais duradouro, pois não é absorvido). Se for transportar o bolo, decore apenas no local.

Ah! A cafeteira e as canecas lindas em esmalte, são daqui.



25
Nov15

Giveaway de Natal [e um bolo de chocolate festivo].































Ho Ho Ho!
Parece que o Pai Natal já anda por estes lados e trouxe algo no saco que vai ficar maravilhoso na vossa mesa das festas natalícias (e em muitas festas ao longo do ano): um prato de bolo com pé, vermelho, igual ao das fotos!

Uma oferta da Sanimaia, uma loja que só tem coisas de nos fazer perder a cabeça, de tão bonitas. Presente fisicamente no Porto (Foz) e na Trofa, a Sanimaia vende ainda os seus produtos através da sua página no facebook. É só mandar uma mensagem, que a simpática Cristina dá-vos todas as indicações.

E o que têm de fazer para poder ganhar este prato lindo? É muito simples:

- Fazer like na página de facebook do Lume Brando (no caso de ainda não serem fãs)
- Fazer like na página de facebook da Sanimaia (no caso de ainda não serem fãs)
- Preencher o formulário que se segue

O passatempo termina às 23h59 do dia 4 de dezembro e apenas será contabilizada 1 participação por pessoa. O sorteio será feito através da aplicação random.org.

VENCEDOR: Cláudia Leitão!

Boa sorte!

Ah, e não temos direito à receita do bolo, perguntam vocês. Claro que têm, é só fazer scroll, que ela aparece logo a seguir ao formulário :)


















BOLO DE CHOCOLATE E COCO COM RECHEIO DE NATAS E DOCE DE FRAMBOESA

Para o bolo:
4 ovos
1,5 chávenas* de açúcar amarelo
140 g de manteiga derretida
1 chávena* de água a ferver
60 g de cacau em pó
60 g de chocolate em pó
2 chávenas* de coco
1,5 chávenas* de farinha
1 colher de sopa de fermento em pó

[*chávena = 250 ml de capacidade]

Para o recheio:
150 ml de natas para bater
Açúcar qb
Algumas gotas de sumo de limão
6 colheres de sopa de doce de framboesa (usei de compra, mas podem fazer um doce rápido com fruta congelada, por exemplo)

Para a cobertura/decoração:
300 g de chocolate de culinária
240 g manteiga à temperatura ambiente
50 g de açúcar em pó
Açúcar em pó e coco ralado qb
Folhinhas de hortelã e outros elementos decorativos a gosto

Pré-aquecer o forno nos 170º.
Untar muito bem/polvilhar com farinha duas formas de 16 cm de diâmetro.
Forrar os fundos com papel vegetal e voltar a untar/polvilhar com farinha.
Numa taça grande, bater os ovos inteiros com o açúcar. Juntar a manteiga derretida, mexer bem e de seguida adicionar a água a ferver. Mexer bem e incorporar o cacau e o chocolate em pó. Juntar o coco e por fim envolver a farinha e o fermento, sem bater.
Dividir pelas formas e levar ao forno cerca de 40 minutos (o tempo de cozedura varia de forno para forno, por volta dos 30-35 minutos veja como os bolos estão. Se lhe parecerem firmes no centro, espete um palito: o bolo está pronto quando este sair limpo ou apenas com algumas migalhas agarradas).
Retire, deixe arrefecer uns cinco minutos, passe uma faca a toda a volta do bolo e desenforme.

Entretanto prepare a cobertura: leve a derreter em banho-maria o chocolate (o recipiente do chocolate não deve tocar na água do recipiente de baixo, deve receber apenas o vapor deste).
Quando estiver derretido, mexa bem com uma vara de arames até obter um creme uniforme e brilhante e reserve, para que arrefeça até à temperatura ambiente.
Assim que tiver arrefecido, pode prosseguir, batendo a manteiga com a batedeira até ficar bem aveludada.
Junte o açúcar em pó e bata novamente até estar bem incorporado e macio. De seguida adicione o chocolate, aos poucos, continuando a bater, dois ou três minutos. Deverá obter um creme liso, espesso e brilhante.

Bata as natas em chantilly com açúcar a gosto (não adoce em demasia porque vai ser misturado com o doce de framboesa). A meio do processo junte umas pinguinhas de limão para ficarem mais firmes.

Para montar/ decorar:
Parta cada bolo em dois, reservando o bolo com o topo mais perfeito para o fim.
Coloque um pouco do creme de chocolate no centro do prato de servir e pouse por cima uma metade de bolo com o lado 'da migalha' virado para cima.
Encha um saco de pasteleiro com boquilha lisa com creme de chocolate e faça um rebordo de creme à volta do bolo (neste vídeo conseguem ver bem este passo, a diferença é que está a ser usado creme de manteiga normal, em vez do creme de chocolate, e a ordem dos restantes ingredientes é um pouco diferente).
Preencha o interior do rebordo com natas batidas e espalhe por cima das natas duas colheres de sopa de doce de framboesa.
Coloque outra metade do bolo por cima e volte a repetir o processo.
No final, antes de finalizar a cobertura, pode espetar um palito no centro do bolo (da altura deste, para ser imperceptível) para que as várias partes se mantenham alinhadas. Quando servir lembre-se do palito, não o dê aos convidados!
Com uma espátula (idealmente destas), aplique creme no topo do bolo e reforce com mais um pouco de creme à volta de cada união dos bolos. Retire o excesso com uma espátula destas ou semelhante, fazendo rodar o bolo.
Termine com os elementos decorativos que desejar: eu usei bolinhas de azevinho e cogumelos artificiais (comprados aqui), folhinhas de hortelã e no fim polvilhei com coco e açúcar em pó.





03
Nov15

Um brownie de nozes e pêra para um workshop especial.




Se há algo que ter um blog de cozinha me ajudou a interiorizar é a noção de que só praticando, só errando muito, só fazendo e repetindo é que conseguimos evoluir. Esta ideia é válida para qualquer área das nossas vidas ou para qualquer profissão, mas quem tem um blog pode mais facilmente aperceber-se dessa evolução: comparando posts, comparando fotografias, comparando os ingredientes que mais usava há uns anos e os que entretanto ocuparam lugar nas prateleiras da despensa. E quanto mais sabemos e experimentamos, mais nos apercebemos do quanto há ainda para explorar. Seja nas receitas e nas técnicas de cozinha, seja ao nível dos textos ou da fotografia, a margem para progredir é imensa e há muito, mesmo muito, para aprender. Haja tempo.

E foi mesmo nisso que um destes sábados se transformou: em tempo para participar no Workshop de Fotografia de Comida que a Maria Midões dinamizou na Clavel's Kitchen, um projecto que muitos de vocês já devem conhecer, nascido da energia inesgotável da Mª João Clavel.
Foi o segundo workshop que fiz neste espaço e o clima que se gera é sempre mágico. A decoração convida a isso, o ambiente é de pura partilha, as pessoas sentem-se em casa e custa sempre vir embora no final. Claro que quem lidera a formação também é responsável pela atmosfera que se cria e nisso a Maria Midões é exímia, com a sua descontração e simpatia.

Uma das minhas expectativas em relação ao workshop era a de receber dicas e conselhos para, no pouco tempo que tenho para fotografar as minhas receitas, conseguir melhores resultados. Primeira lição do dia: sem tempo, não há milagres!
A Maria alertou-nos para questões a que devemos responder antes de fotografarmos (qual o mood que queremos para a imagem, qual o elemento principal, que história ou momento queremos transmitir, etc.) e obviamente que com a experiência este exercício poderá ser feito de forma eficiente e mais 'automática'. Mas vamos sempre precisar de tempo: não só para pensar no que queremos contar com a nossa foto, mas também para escolher os props, para compor os elementos, para disparar, avaliar e mudar aquilo que não está a resultar.

Outra das componentes da fotografia mais debatida foi a luz. Talvez esta seja mesmo a questão fundamental e confesso que esta é uma das minhas maiores dificuldades: dominar a luz (e consequentemente as sombras), sobretudo não tendo grande equipamento em casa.

A parte prática foi bastante voltada para o styling e para a composição. Os participantes foram convidados a levar os seus próprios 'modelos': bolos ou outras preparações culinárias, ingredientes e até alguns adereçosEste brownie foi o meu contributo e como fez sucesso no lanche que se seguiu à sessão fotográfica, prometi publicar a receita.

Deixo-vos ainda algumas fotos onde podem ver exercícios de composição de outras participantes (um grupo fantástico, diga-se!) e a evolução do styling à volta do brownie, com a caneca de café e o cachecol, sugeridos e colocados pela Maria Midões, a fazerem toda a diferença.

Para terminar, e a propósito do início do post, aqui fica uma lição dessa lenda da fotografia chamada Henri Cartier-Bresson: "As suas dez mil primeiras fotografias são as piores". Tendo em conta que Bresson é do tempo da fotografia analógica, terei de multiplicar por muitos esse valor, até começar a ficar satisfeita com as minhas...






















BROWNIE DE NOZES E PÊRA

100 g de chocolate preto 70% cacau
80 g de chocolate de culinária
130 g de manteiga
175 g de açúcar amarelo
3 ovos
80 g de farinha sem fermento
100 g de miolo de noz
2 a 3 pêras
Sumo de 1/2 limão

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte uma forma rectangular com manteiga, forre com papel vegetal e volte a untar, polvilhando-a com farinha.
Descasque as pêras e corte-as em pedaços. Regue-as com o sumo de limão, para não oxidarem.
Leve a derreter os chocolates com a manteiga no micro-ondas (potência elevada poucos segundos de cada vez, para o chocolate não queimar) e misture bem.
Noutra taça, bata os ovos com o açúcar. Junte a mistura de chocolate e manteiga derretidos.
Envolva a farinha e de seguida envolva metade das pêras e das nozes partidas grosseiramente.
Verta para a forma e espalhe por cima os restantes pedaços de pêra e as restantes nozes.
Leve ao forno cerca de 30 minutos.Retire do forno e deixe arrefecer.


21
Set15

Passatempo 90 anos Le Creuset.













A Le Creuset já procedeu ao sorteio do 90º aniversário e já foram apurados os vencedores.
Obrigada a todos os que participaram através do Lume Brando!
O feliz contemplado com uma cocotte evolution na cor vulcânico é Antonio Brochado Teixeira, que em breve será contactado pela marca. Parabéns!

Lista de vencedores dos blogues parceiros:

Alquimia dos Tachos - AnselmoAnanás e Hortelã - Sergio SilvaClavel's Cook - Maria da Conceição GuimarãesHoje para Jantar - Edna BartoloCozinha [da Duxa] -
Fernanda Maria dos Santos Teixeira BerthelotMarmita - Inês Bulhosa


A marca das panelas mais charmosas de sempre está em festa!
E é caso para dizer que as celebrações são à grande e à francesa: a Le Creuset comemora esta ano os seus 90 anos e preparou algumas surpresas, incluindo o Sorteio de uma Cocotte Evolution na cor original ‘vulcânico’, entre os seguidores do Lume Brando. Sim, é a panela das fotos! Uma panela linda de 24 cm de diâmetro, fabricada em ferro fundido esmaltado segundo as rigorosas técnicas desta marca gaulesa, que desde 1925 dá cor e sabor a cozinhas de todo o mundo.

O valor de mercado desta cocotte são €229, mas um dos seguidores do Lume Brando vai poder ganhá-la: basta participar no passatempo, cujas regras são as seguintes:

- O passatempo decorre de 21 de setembro a 5 de outubro de 2015 em Portugal continental e Ilhas;

- Vários blogues parceiros da marca estão a dinamizar este passatempo em simultâneo e cada blog irá oferecer 1 cocotte. No entanto, cada pessoa só pode participar uma vez através de um dos blogs, que são:

Lume Brando

- Para concorrer, terá de preencher este formulário (ou o formulário do post alusivo a este passatempo de outro blog parceiro, mas não se esqueça de que só pode participar 1x);

- Depois, terá de aceder ao site comemorativo www.lecreuset90.com e submeter uma fotografia, um vídeo ou um texto relacionados com a marca. Pode explicar de forma divertida porque deseja uma Le Creuset, pode tirar uma foto criativa com produtos Le Creuset ou numa loja que venda produtos da marca, escrever um poema ou até fazer uma canção - a imaginação é o limite! Para submeter a sua participação, uma vez no site, escolha a opção “Portugal/Português” e clique em “Criar”.

- A Le Creuset irá selecionar as participações mais originais e criativas para figurarem no site comemorativo, mas todas as participações serão válidas para efeito de sorteio. Assim, de entre todas as participações feitas através do Lume Brando, a marca irá sortear um vencedor. O seu nome será revelado no dia 7 de outubro, e será contactado pela marca. Assim se passará com os restantes blogs.

- Toca a participar e boa sorte!

Já agora, se quiserem partilhar coisas bonitas relacionadas com este passatempo ou com a marca nas redes sociais, usem por estes dias a hashtag #lecreuset90



As imagens deste post são da Le Creuset.




[ o Lume Brando está também no Instagram e no facebook! ]


06
Jul15

The Trip to Italy [e um bolo de amêndoa e avelã]
























A primeira grande viagem em família tinha de ser a Itália.
Tanta propaganda eu e o pai fazíamos ao país das pizzas, que até na lista dos rapazes este era o destino que vinha em primeiro lugar, sempre que lhes perguntávamos que países gostavam de conhecer.

Na última semana de Junho, já em período de férias escolares, lá partimos rumo à Toscana.
Foi uma semana cheia de sol, boa comida, visitas culturais e algum dolce far niente, que os pequenos ao fim de poucas horas já só pensavam na piscina da casa de turismo rural onde estávamos alojados, muito perto de Volterra.

Pertencente à província de Pisa, Volterra é uma pequena cidade de origem etrusca, onde se cruzam vestígios desta civilização com muitas memórias romanas e medievais. Em redor da cidade estendem-se os campos característicos da região, salpicados por ciprestes e casas de cor ocre, uma paisagem algo melancólica que faz parte do meu imaginário romântico* e que soube mesmo bem apreciar in loco.

Alugámos um carro e a maior parte dos dias foi passada a circular nas estradas que serpenteiam as colinas toscanas e a conhecer Pisa, Lucca, Siena, S. Gimignano e Florença (para Florença uma parte do percurso foi feita de comboio, por ser mais rápido e mais prático - sai-se mesmo no centro e evitam-se as filas à entrada da cidade e o custo alto do estacionamento).

'Conhecer' é uma força de expressão, porque o tempo que passámos em cada sítio foi manifestamente pouco para ficar a 'conhecer', mas deu para reforçarmos a ideia de que Itália é um país fantástico. Foi a terceira vez que lá estive, mas ainda há tanto, mas tanto, para ver, aprender e provar, que é impossível não sentir um enorme desejo de voltar.

Como já é costume, os souvenirs que trouxe para mim foram revistas de cozinha. Enquanto não ponho mais receitas em prática (e são tantas as que já estão marcadas), deixo-vos um bolo de avelã e amêndoa, húmido e delicioso, típico de Cannobio - uma cidade do Piemonte, que também já está assinalada no mapa cá de casa com o alfinete dos destinos a visitar.


*Há muitos filmes e livros passados em Itália que me marcaram de alguma forma e que ajudaram a construir este imaginário. Um desses filmes é bem recente: trata-se do The Trip to Italy, com o seu ritmo bem tranquilo e pouco hollywoodesco, as paisagens inspiradoras, os pratos de fazer crescer água na boca e os diálogos inteligentes e divertidos. Aconselho!




BOLO DE AVELÃ E AMÊNDOA [PAN DOLCE DI CANNOBIO]
Revista Sale & Pepe  Julho 2015

60 de avelãs moídas (usei miolo de avelã sem torrar, com pele)
60 de amêndoas moídas (usei miolo de amêndoa sem pele)
60 de farinha de trigo sem fermento
10 g de fermento em pó para bolos
4 ovos
120 g de açúcar amarelo
120 g de manteiga à temperatura ambiente
Uma pitada de sal
Açúcar em pó para decorar

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Unte muito bem com manteiga e polvilhe com farinha uma forma rectangular com cerca de 12 cm x 22 cm.
Pulverize a amêndoa e a avelã num processador de cozinha.
Numa taça grande, bata bem a manteiga com o açúcar até estar uma mistura bem cremosa e uniforme.
Junte dois ovos inteiros e duas gemas - reservando numa taça à parte as duas claras - e misture bem.
Envolva as farinhas dos frutos secos, a farinha de trigo, o fermento e o sal.
Por fim bata as claras que sobraram em castelo e envolva na massa anterior.
Verta para a forma e leve a cozer cerca de 40 minutos. Se começar a ficar bastante escuro, cubra com folha de alumínio. Faça o teste do palito: assim que sair seco, está cozido.
Deixe arrefecer um pouco, descole a massa a toda a volta da forma com uma espátula ou uma faca de manteiga e desenforme para o prato de servir com cuidado, de forma a mantê-lo virado para cima, que é como fica mais bonito. Quando estiver frio, polvilhe com açúcar em pó.


Outros posts sobre Itália, aqui e aqui.


Teresa Rebelo

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