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Lume Brando

20
Abr16

Almoço [delicioso] para 1.
















Se eu podia ser vegetariana? Podia. Se eu podia ser vegan? Não.
Seria muito, mas muito complicado, não poder comer ovos ou derivados do leite.
Se o tivesse de fazer por algum motivo sério de saúde, bom, lá teria de ser, mas a mudança iria ser bastante custosa, tenho a certeza.

Não poder comer uma omelete suculenta e rica, como esta, feita com ovos caseiros? Não quero sequer imaginar.

Ultimamente, tenho almoçado mais vezes em casa, sozinha, e se em muitos dias há sobras da noite anterior, de vez em quando tenho de improvisar algo de propósito (para não atacar os cereais ou as papas que ainda aparecem aqui por casa).

Esta omelete foi um dos pratos do dia desta semana e resultou num dos melhores almoços solitários de sempre. Rápida e deliciosa, recheada com os cogumelos shiitake prontos a comer da Casa do Chascada, um projeto de que já vos falei neste post.

Uma receita a repetir. Para um, dois, ou mais.

















OMELETE COM COGUMELOS SHIITAKE DE CONSERVA

2 ovos, preferencialmente caseiros
1 colher de sopa de salsa picada
2 colheres de sopa de leite
1/4 de uma cebola pequena picada finamente
Sal qb
Pimenta preta acabada de moer qb
2 colheres de sopa de cogumelos shiitake em azeite bem escorridos
Azeite para untar a sertã

Parta os ovos para uma taça média, junte o leite e bata muito bem com um garfo (o leite torna a omelete mais fofa).
Junte a cebola picadinha, a salsa também picada e tempere com sal e pimenta preta.
Unte uma sertã antiaderente com azeite (use papel de cozinha para passar o azeite e retirar o excesso; se a sua sertã tiver um bom revestimento e for mesmo antiaderente, poderá eventualmente saltar este passo).
Aqueça bem a sertã e verta os ovos. Vá vigiando, e quando já estiver cozida por baixo e já só restar uma camada fina de ovo líquido na parte superior, espalhe os cogumelos bem escorridos em metade da omolete e dobre sobre esta a outra metade, com a ajuda de uma espátula. Deixe cozinhar mais um pouco e retire com cuidado para o prato. Sirva com rúcula ou outra salada de verdes.

09
Mar16

Peixe escondido sem rabo de fora.
















Não é novidade que nem sempre é fácil as crianças gostarem de peixe.
Os meus rapazes comem, e até gostam, mas sempre que digo que o jantar é peixe, a primeira expressão é de desconsolo.
Faz parte do seu charme.
Com os legumes, de uma maneira geral, a reação é parecida.

Como no cabaz da Prove tem chegado bastante couve-flor, noutro dia fiz um acompanhamento em que a cozi a vapor, cobri-a com o molho de tomate e o queijo ralado que tinham sobrado de uma noite de pizzas e levei a gratinar. Ficou tão bom, que resolvi fazer um upgrade à receita: transformá-la em prato principal, a pensar nos mais pequenos: a ideia é que a couve-flor se confunda com o peixe e que o molho de tomate com o bónus do queijo os entusiasme.

Cá em casa resultou, espero que em vossa casa também faça sucesso!















GRATINADO DE PESCADA E COUVE-FLOR

Para 4 pessoas

3 ou 4 lombos de pescada ou outro peixe branco
1 couve-flor grande ou 2 mais pequenas
2 chávenas almoçadeiras de molho de tomate*
Queijo ralado qb
1 dente de alho
1 folha de louro
Sal qb
Folhas de manjericão para servir


*MOLHO DE TOMATE RICO
1 cebola grande
2 dentes de alho
100 g de cenoura
100 g de abóbora menina
1 pimento vermelho fresco ou de conserva
4 a 5 tomates maduros ou 1 lata de tomate pelado
Sal qb
Azeite qb
Manjericão ou salsa picados (opcional)

Comece por fazer o molho de tomate.
Leve ao lume um tacho com um fundo de azeite (ou use um robot de cozinha). Deixe aquecer e junte as cebolas cortadas em meias-luas e os alhos laminados. Junte a folha de louro e deixe cozinhar bem, até a cebola ficar bem translúcida e começar a querer dourar.
Junte os tomates partidos em pedaços ou o tomate pelado (se usar um robot de cozinha não precisa de retirar a pele dos tomates frescos, pois vai ficar bem triturado), o pimento, a cenoura e a abóbora descascadas e em pedaços. Envolva tudo muito bem, tempere com sal e deixe cozinhar até estar tudo bem desfeito. Retire a folha de louro e junte as ervas aromáticas, se for usar. Deixe ferver novamente e triture com a varinha mágica ou no robot. Prove e retifique os temperos, se necessário. Se achar que está muito espesso, junte um pouco de água e deixe ferver novamente.
Reserve a quantidade de molho para a receita e guarde o restante num frasco esterilizado, que depois de arrefecido pode guardar no frigorífico ou congelar.

Entretanto, leve a cozer a pescada num tacho com água, um dente de alho esmagado e uma folha de louro. Coza também a couve-flor, idealmente a vapor. Escorra a pescada e lasque-a.
Pré-aqueça o forno nos 180º.
Num prato de forno, faça uma camada de couve-flor e regue com um fio de azeite. Faça uma camada de pescada e cubra com o molho de tomate. Polvilhe com o queijo ralado e leve ao forno a gratinar no nível superior do forno durante cerca de 10-15 minutos, vá vigiando para não queimar.
Sirva com uma salada de rúcula e alface e acompanhe com pão para molhar...


Nota: às vezes o molho de tomate exige uma pitada de açúcar para cortar a acidez, mas neste caso, a cenoura e a abóbora cumprem a função de adocicar o molho e este, para além de mais rico em nutrientes, fica delicioso! Ah, os talheres da foto eram os meus talheres quando era pequena :)






03
Fev16

Descobrir: um dos verbos-resolução para 2016.

















Descobrir os meus verdadeiros limites.
Descobrir mais talentos e qualidades nos meus filhos, do que defeitos e feitios.
Fazer vir ao de cima o melhor de mim. E o melhor dos outros.
Descobrir palavras, descobrir ideias, descobrir novas formas de fazer render o dia.
Descobrir saberes e sabores. Todos os dias, aprender algo novo.
O verbo descobrir é poderoso e um dos que mais quero praticar em 2016. E parece que não comecei mal.

Uma das minhas primeiras descobertas do ano (ou foi a Ana que me descobriu a mim?!) tinha de partilhá-la convosco.
Tratam-se dos melhores cogumelos que me lembro de alguma vez ter comido.
Desafiada a ir conhecer a produção de cogumelos shiitake da Casa do Chascada, situada entre a Maia e Vila do Conde, vim de lá carregada destas coisinhas fofas que parecem saídas dos contos de fadas. Usei-os em mais do que uma receita, mas gostei especialmente desta salada morna, coroada com um ovo caseiro escalfado.
O cogumelo shiitake, apesar de parecido na forma com os cogumelos mais comuns, o 'paris' e o 'marron', tem uma textura e um sabor distintos. É mais carnudo e sabe precisamente... a carne. E como é rico em proteínas, à semelhança das outras espécies comestíveis de cogumelos, pode mesmo substituir a carne ou o peixe numa refeição, para além de apresentar outras vantagens nutritivas.

Muito versáteis, estes cogumelos ficam bem em assados de legumes, em risottos e massas, em recheios de empadão ou salteados e adicionados a uma simples salada de agrião, como esta.

A Casa do Chascada é um projeto recente, está a ser ultimado o site e a página de facebook, mas a Ana já aceita encomendas. Caso estejam interessados é só ligar o 963 266 298 ou mandar email para: anamoreira@casadochascada.com















SALADA DE AGRIÃO COM COGUMELOS SHIITAKE E OVO ESCALFADO

Para 2

250 g de cogumelos shiitake
150 g de agriões lavados e bem escorridos (uso o secador de saladas, normalmente usado para a alface - aconselho!)
1 chávena de rúcula
Algumas folhas de alface iceberg
3 ou 4 rodelas de chouriço ou 2 fatias de bacon partidas em tiras
2 ovos
2 dentes de alho
Sal e pimenta preta qb
Azeite Virgem Extra qb
Vinagre balsâmico qb
Vinho do Porto qb.
2 ou 3 hastes de tomilho fresco
2 colheres de sopa de pão ralado aromatizado caseiro

Limpe os cogumelos suavemente com papel de cozinha (mas quase que nem é preciso limpar, pois estes cogumelos nascem em troncos, não têm areia nem terra) e corte-lhes a parte mais dura do pé, que deve descartar. Parta ao meio apenas os maiores.
Numa frigideira antiaderente, coloque o pão ralado e deixe alourar, é um processo muito rápido. Retire para uma taça e deixe arrefecer para ficar crocante.
Nessa mesma frigideira, coloque um fio de azeite e quando estiver quente, junte os cogumelos, o alho picado e o chouriço partido em pedaços (ou o bacon).
Deixe cozinhar até o alho começar a dourar.
Tempere com sal e pimenta preta acabada de moer, envolva bem e junte um fio de vinagre balsâmico e outro de vinho do Porto. Junte as folhinhas de tomilho, deixe evaporar e cozinhar mais um pouco.
Se achar que ainda não estão no ponto mas estão com pouco líquido, junte um pouco de água. Retifique os temperos, se for necessário, salpique com mais algum tomilho e reserve.

Para escalfar os ovos, coloque um tacho com água ao lume e siga o método amador mais eficaz: corte dois quadrados generosos de película aderente e pincele-os com azeite.  Forre o interior de uma chávena de café com um dos pedaços de película, com o lado do azeite virado para cima. Parta um ovo aí para dentro e una bem as pontas da película aderente, formando um pequeno embrulho. Ate as pontas com um atilho dos sacos de congelação, e mergulhe na água a ferver. Repita com o outro ovo. Devem demorar cerca de 5 minutos a ficar no ponto, ainda com a gema um pouco crua.

No prato de servir, misture a rúcula, a alface e o agrião. Tempere a seu gosto.
Junte os cogumelos salteados com o chouriço ou o bacon, envolva e coloque por cima os ovos, que desembrulhou com cuidado da película aderente.
Polvilhe com pimenta preta e o pão ralado crocante.
Está pronto a comer!




19
Out15

Uma panela com história e uma receita invulgar.

















Quem segue o blog, já sabe que a marca francesa Le Creuset está a celebrar o seu 90º Aniversário.
Nove décadas a fabricar panelas e acessórios de cozinha, dos quais se destacam as famosas panelas em ferro fundido.
Para assinalar esta data tão especial, a marca preparou muitas iniciativas e hoje falo-vos de mais uma: o lançamento de uma réplica em cerâmica do primeiro modelo da marca e na cor original: uma bonita e elegante cocotte na cor laranja vulcânico (existe ainda uma réplica no tamanho e no material da primeira, podem vê-la aqui).

E foi nesta panelinha repleta de história e simbolismo, que preparei esta massa invulgar: totalmente cozinhada no forno.
A ideia retirei-a de um dos blogs mais bonitos que conheço: o espanhol La Receta de la Felicidad. Apesar de Sandra Mangas ser mais conhecida pelas receitas de doces e gelados que parecem mágicos, de tão surpreendentes que são, de vez em quando também nos apresenta receitas salgadas mais simples. Os textos são muito bem escritos, ora mais divertidos, ora mais sérios como o post da receita de 'Pasta directa al horno', que tinha um fim solidário.

A chegada da cocotte foi o pretexto ideal para finalmente experimentar esta forma de cozinhar a massa. Alterei alguns ingredientes, assim como as quantidades e o tempo de cozedura (até porque a cocotte que usei é um pouco maior do que a sugerida na receita original) e gostei bastante do resultado. Sobretudo se pensar que foi só misturar tudo e levar ao forno. Pode não ter ficado o macarrão mais cremoso e suculento de sempre, mas ficou saboroso e julgo que agora é só uma questão de afinar a quantidade dos ingredientes líquidos, para ficar perfeito.















MASSA NO FORNO COM COGUMELOS, ESPINAFRES E BACON
(adaptado daqui)

Para 1 pessoa com muita fome

80 g de macarrão ou outra massa a gosto
85 ml de leite evaporado
85 ml de água
50 g de cogumelos
25 g de espinafres
25 g de bacon fumado em cubinhos
2 colheres de sopa de queijo ralado (emmental, mozzarella, cheddar ou outro a gosto)
Sal qb
Alho em pó qb
Pimenta preta qb

Pré-aqueça o forno nos 180º.
Numa taça, misture todos os ingredientes. Prove o molho para ver se precisa de mais algum ajuste nos temperos.
Verta para a cocotte (a que usei tem 14 cm de diâmetro), tape e leve ao forno durante cerca de 45 minutos. Nos minutos finais, retire a tampa, para ganhar mais um pouco de cor. A massa de cima vai ficar um pouco mais rija e crocante, mas eu acho que faz parte do charme desta receita!






06
Out15

O segredo está na massa.





Em tom de brincadeira, às vezes digo que noutra encarnaçãodevo ter sido minhota. Uma origem imaginária que concorre diretamente com aToscana italiana. Do Minho sou fã da simpatia vaidosa das suas gentes, dosbordados, da filigrana, das romarias. De Itália, gosto sobretudo da comida e dalíngua, tão verbal como gestual. Pensando bem, a mão na anca de uma mulher doMinho e os dedos unidos virados para cima de uma nonna italiana, não são gestos assim tão diferentes.

Na paisagem estão as regiões empatadas, mas na comida, e pormuito que goste de rojões e outras iguarias minhotas, Itália leva de facto amelhor. Dêem-me uma salada caprese e eu fico feliz; dêem-me um simples esparguetesalteado em alho e azeite e eu fico satisfeita; dêem-me um affogato e eu já não peço mais nada.

E depois há os 1001 tipos de pasta, com nomes e formas tãoincríveis como “sorprese lisce”, “treccine”, “risoni”, “lancette”, “bavette”,“garganelli”, e tantos outros. A variedade de formas que os italianos dão àmassa é, aliás, uma grande arma de quem cozinha todos os dias para a família.Quando me surge aquela dúvida chata sobre o que fazer para o jantar, muitasvezes recorro a uma receita de sempre, mas mudo-lhe o tipo de massa. Sei quevai agradar sem parecer repetitivo.

Para o prato que se segue, não é preciso nenhum tipo demassa raro ou sofisticado: basta um humilde macarronete (ou pennoni rigate), e mais algunsingredientes que é sempre bom ter na despensa.

Texto e receita publicados no jornal Observador em 13/05/2015.

















MACARRONETE COM TOMATE SECO E AZEITONAS

Para 2 pessoas

160 g de macarronete
75 g de azeitonas pretas descaroçadas
40 g de tomate seco (preferencialmente em azeite)
1 cebola
3 dentes de alho
Azeite qb
Óregãos secos qb
Salsa ou manjericão fresco qb
Sal e pimenta preta a gosto
Nozes qb (opcional)
Queijo parmesão ou grana padano para servir


Coza a massa seguindo as instruções da embalagem.
Enquanto isso, pique a cebola e os alhos.
Leve uma sertã ao lume com um fundo de azeite e cozinhe aí acebola e os alhos picados até começaram a alourar.
Escorra o tomate seco, parta em pedacinhos e junte à sertã.Deixe a cebola e o alho ganharem alguma cor do tomate e junte as azeitonas.
Quando a massa estiver cozida, escorra-a reservando algumaágua da cozedura.
Prove a mistura de tomate seco e azeitonas e retifique desal, se achar necessário (o tomate e as azeitonas já têm sal) e tempere com umpouco de pimenta preta acabada de moer. Junte a massa a esta mistura, envolvabem e junte um pouco da água da cozedura. Junte as ervas frescas e envolvanovamente.
Prove e retifique novamente os temperos se for necessário.
Coloque no prato de servir e salpique com algumas nozespicadas.
Sirva com o queijo parmesão, ou grana padano, ao lado.

Nota: se usar tomateseco sem estar em azeite, hidrate-o; antes de começar a cozinhar, coloque-onuma taça com um pouco de água e um fio de azeite (para amaciar); depois dejuntar o tomate escorrido à sertã, pode adicionar também um pouco deste líquidopara dar sabor.





31
Ago15

Já vos dou o arroz.



















A carne, o arroz e os legumes, tudo num só tacho.
Há dias em que apetece sujar pouca loiça e esta arroz apaellado, à falta de melhor palavra para o descrever, cumpre essa intenção.
É preciso um pouco de ginástica de braços, é verdade, mas aposto que por estes dias, depois de um período mais preguiçoso, seja preciso exercitar os músculos.
É também uma boa receita para 'limpar o frigorífico' e usar os pimentos, os tomates e o feijão-verde da época. Um prato que serviu para experimentar pela primeira vez os fios de açafrão que uma amiga me trouxe de Barcelona, há já algum tempo, e para estrear a minha paellera Le Creuset.
O resultado foi um arroz despretensioso mas rico de nutrientes e sabor, que agradou a todos cá em casa.


Arroz apaellado
Para 6

3 peitos de frango
1/2 limão
4 dentes de alho
2 cebolas vermelhas
2 colheres de sopa de tomate seco
1/2 pimento vermelho
1/2 pimento verde
1 pimento vermelho assado de conserva
1 dúzia de vagens de feijão-verde
1 dúzia de tomates-cereja
200 g de chouriço
350 g de arroz carolino ou arroz para risotto
Cerca de 800 g de água quente
1 colher de chá de fios de açafrão
Azeite
Sal
Pimenta preta
Salsa para servir

Com alguma antecedência, corte o frango em cubos pequenos e tempere com sumo de limão, 2 alhos picados e sal.
Coloque um fundo de azeite no tacho (deve ser grande e baixo), deixe aquecer e junte o frango. Deixe ganhar alguma cor e junte a cebola e os dentes de alho restantes, tudo picado grosseiramente. Deixe cozinhar mais um pouco, até a cebola amolecer, e junte o chouriço. Cozinhe um pouco e adicione o tomate seco picado, seguido do feijão-verde partido em pequenos pedaços. Deixe cozinhar mais um pouco e junte os tomates-cereja e os pimentos partidos em cubos. Tempere com um pouco de pimenta preta e veja se é necessário adicionar sal. Adicione os fios de açafrão e envolva bem. Deixe cozinhar mais alguns minutos e junte o arroz. Envolva bem o arroz nos restantes ingredientes e comece a juntar a água, como se estivesse a fazer risotto.
Vá provando e ajustando os temperos.
Deve demorar cerca de 25 minutos até ficar no ponto, desde que começou a adicionar a água.
Sirva polvilhado com salsa picada.



29
Jul15

Viajar sem sair do lugar.






Finalmente consegui estrear a minha tagine (ou tajine) Le Creuset.
E finalmente comecei a dar uso aos limões em conserva (os famosos preserved lemons que tanto vemos no Pinterest e nos blogs estrangeiros), preparados por mim há cerca de dois meses, mantidos quietos no frigorífico, após os quinze dias iniciais de hibernação num armário.

Para a receita dos limões em conserva, basta fazerem uma pesquisa no google e vão ter muito por onde escolher, com ligeiras variações entre cada receita. Eu acabei por seguir esta, mas depois lembrei-me que no Marmita também há uma receita catita, ora espreitem aqui.

Para o frango, não segui nenhuma receita especial, apenas quis que tivesse um toque marroquino, que seria reforçado pelos limões em conserva. Como não cozinhei em casa, e não quis levar muita coisa comigo (a tagine já é bem pesada!), no que toca a especiarias usei apenas a mistura Marrocos da Margão, que é bem rica e perfumada, à base de coentros e cominhos.

Adorei o resultado final e ainda que o frango tenha ficado muito claro para o meu gosto (da próxima vez tenho de deixar cozinhar mais antes de juntar o caldo e tapar), o sabor do limão em conserva foi surpreendente. É subtil e vibrante ao mesmo tempo, muito diferente do sabor do limão fresco.

Aconselho mesmo a fazerem um frasco de limões em conserva, é muito fácil. O que custa mais é ter de esperar para poder usá-los! Não se esqueçam de que no momento de os utilizar, estes devem ser passados por água, para retirar o sal, e a sua polpa deve ser descartada, usando-se apenas a casca.

Quanto à panela, é realmente especial. A sua tampa cónica faz com que o vapor, ao subir, condense ao contactar com as paredes e volte para o cozinhado em estado líquido, permitindo um estufado lento e cheio de sabor.

Daqui a alguns dias volto ao campo, de férias, e a tagine já vai lá estar, preparada para novas viagens.















TAGINE DE FRANGO COM AZEITONAS E LIMÃO EM CONSERVA
Para 4 pessoas

8 porções de frango (usei pernas e coxas, sem pele)
1 cebola
2 dentes de alho
1 limão
2 colheres de chá da mistura 'Marrocos' da Margão
1 chávena de azeitonas pretas descaroçadas
1 raminho de coentros frescos
1/2 limão em conserva (os meus preserved lemons eram grandes, daí ter usado apenas 1/2)
Azeite qb
Sal qb
Cerca de 300 ml de caldo de legumes*

Com algumas horas de antecedência ou até de um dia para o outro, tempere o frango: coloque-o numa taça e regue com sumo de limão e azeite, tempere com sal e a mistura de especiarias. Junte ainda o alho picado. Envolva bem o frango nesta mistura, tape a taça com película aderente e leve ao frigorífico.
Quando for cozinhar, regue o fundo da tagine com um fio de azeite e junte a cebola partida em meias-luas. Quando começar a querer alourar, junte o frango, reservando a marinada. Quando o frango tiver ganho cor, junte as azeitonas e 1/4 de limão em conserva partido em tiras finas (depois de passado por água e de lhe ter sido retirada a polpa). Adicione o caldo e o que sobrou da marinada, junte metade do ramo de coentros e tape, deixando cozinhar no mínimo cerca de 1h30. Findo este tempo levante a tampa e se ainda tiver muito líquido, deixe cozinhar destapado cerca de 15 minutos ou até se ter evaporado a quantidade de líquido pretendida. Prove e acrescente sal, se necessário. Antes de servir, salpique com mais coentros picados e tiras de limão em conserva. Acompanhe com cuscuz simples.

*Fiz um caldo rápido e básico, com o que tinha na altura: uma cenoura, uma cebola, dois dentes de alho esmagados, algumas folhas de aipo e algumas hastes de salsa, uma folha de louro e sal. Levei tudo a cozer numa panela pequena com água, cerca de uma hora, até estar tudo bem cozido e o líquido ter reduzido bastante. Antes de usar, coei a quantidade necessária.


13
Jul15

Sobreviver aos almoços solitários.
















[Texto e receita publicados no jornal Observador em 14 de abril de 2015]

Admiro quem tem coragem para almoçar sozinho, numrestaurante ou numa praça de alimentação. Já o fiz, mas senti-me sempredesconfortável.

Os telemóveis espertos e os tablets dão uma ajuda aoscomensais solitários dos dias de hoje, é certo. Mesmo assim, tenho dúvidas deque seja um momento absolutamente tranquilo e que a comida seja saboreada comverdadeiro prazer.

A conversa à mesa com colegas de trabalho, à hora de almoço,talvez seja aquilo de que sinto mais falta desde que passei a trabalhar emcasa. E isto leva-me a outra situação que me deixa sempre hesitante: cozinhar só paramim ao almoço. Fazer comida só para nós encerra em si uma certa contradição,resumindo o ato de cozinhar à sua função mais básica e anulando aquelamaravilhosa componente da partilha. Nos dias em que por questões de trabalhonão posso ir almoçar a casa dos meus pais (em cuja mesa, desde que me conheço,cabe sempre mais um, seja filho, neto, ou amigo dos netos), tenho de fazer umesforço para não ir diretamente à prateleira dos cereais ou das papas que devez em quando os meus rapazes ainda comem (acho que quem costuma almoçar sozinhoem casa sabe do que falo).

Estas tostas foram feitas numa dessas ocasiões e podem serpreparadas em menos tempo, se a ‘tomatada’ for preparada de véspera. No dia ésó aquecer, tratar do pão e escalfar os ovos. As quantidades da receita sãopara 4, porque dão uma boa entrada num almoço ou jantar ‘alargado’, onde vãosaber ainda melhor.














PÃO COM TOMATADA E OVO ESCALFADO

4 ovos
4 fatias de pão saloio
4 colheres de sobremesa de queijo-creme
1 cebola
2 dentes de alho
½ pimento vermelho
2 tomates maduros
1 folha de louro
Azeite qb
Sal qb
Pimenta preta qb
Vinagre qb
Óregãos qb

Coloque um fio de azeite numa sertã e leve a saltear acebola cortada em meias-luas, com os dentes de alho picados e a folha de louro.Deixe cozinhar cerca de 10 minutos - ou até a cebola ficar mole e translúcida -e junte o pimento partido em tiras finas. Deixe cozinhar mais 10 minutos ejunte os tomates sem pele*, cortados em cubos pequenos. Tempere com sal epimenta preta acabada de moer e deixe cozinhar tapado até o tomate estar bemdesfeito, cerca de 10 minutos. Descarte a folha de louro e reserve.
Entretanto ligue o forno nos 180º. Parta as fatias de pão eleve ao forno num nível alto e na posição grill, entre 5 a 10 minutos ou até opão estar estaladiço por fora, mas ainda relativamente fofo por dentro.
Para escalfar os ovos, leve um tacho com água ao lume com umfio de vinagre. Quando estiver a atingir o ponto de ebulição, baixe o lume – aágua deve estar bem quente mas não a ferver. Parta um ovo para uma chávenapequena (ou para uma colher-medida, por exemplo) e deite-o dedicadamente naágua. Repita com os outros ovos, se couberem todos ao mesmo tempo na panela, edeixe cozinhar cerca de 6 minutos. Retire-os com uma escumadeira e se não for paracolocar logo no pão, reserve-os numa taça baixa com um pouco de água no fundo,para não colarem.
Para montar as tostas, barre cada uma delas com oqueijo-creme. Coloque por cima uma porção da tomatada, tentando abrir umacovinha no meio. Coloque aí o ovo escalfado. Tempere com pimenta preta acabadade moer e orégãos. Repita com as restantes tostas. Sirva com uma salada verde.


*Para pelar os tomates, faça-lhes uma incisão em cruz naparte de baixo, coloque-os numa taça e cubra-os com água a ferver. Passadosalguns minutos escorra a água e deixe arrefecê-los um pouco: a pele sairáfacilmente com a ajuda de uma faca.
27
Mai15

Um viva às irmãs Tatin.





A Le Creuset dispensa apresentações. Mas a sua sertã específica para tartes tatin, talvez seja desconhecida para a maioria.
Eu própria não sabia que existia tal peça, até iniciar uma parceria com a marca.

Quando pensamos em tarte tatin, lembramo-nos logo da versão original, feita com maçãs (ou outra fruta: no blog encontram duas sugestões - pêssego e ameixa). Mas a verdade é que também podemos fazer tartes salgadas seguindo a mesma técnica: a de cozer a massa virada para cima. E foi com uma versão salgada que estreei a minha sertã (sertã ou tarteira? não sei bem que nome lhe dar), dando uso aos primeiros tomates frescos da época.

Veredicto: aprovadíssima, depois de ter duvidado da sua utilidade, devo confessar. Só o facto de se poder usar a mesma peça para cozinhar e levar ao forno, já é fantástico, se ainda por cima é uma Le Creuset, então somos mesmo umas cozinheiras com sorte.















TARTE TATIN DE CEBOLA E TOMATE

1 base redonda de massa folhada
2 cebolas roxas
2 cebolas normais médias
3 dentes de alho
4 tomates maduros médios
Sal e pimenta preta qb
Orégãos ou outras ervas secas a gosto
Azeite qb
Salsa ou coentros picados para servir

Ligue o forno nos 200º.
Leve a alourar na sertã Le Creuset (ou numa sertã normal), a cebola partida aos rodelas, o alho laminado e um fio de azeite. Tempere de sal e pimenta preta moída na hora e deixe cozinhar até a cebola estar mole e a começar a ganhar cor.
Retire da sertã e reserve.
Lave e fatie os tomates e disponha-os na sertã Le Creuset - ou numa tarteira de ir ao forno, caso a sua sertã não possa ir ao forno).
Polvilhe com um pouco de sal e ervas aromáticas secas a gosto e espalhe por cima a cebola reservada. Cubra com a massa folhada (pode ser que tenha de aparar a massa a toda a volta, se tiver um diâmetro bastante maior do que a sertã/tarteira), ajustando a borda da massa ao recheio, empurrando-a a toda à volta. Pique a massa e leve ao forno cerca de 20/25 minutos.
Deixe arrefecer um pouco e inverta para o prato de servir. Salpique com ervas frescas e sirva com uma salada. Pode também juntar, antes de servir, pedacinhos de queijo mozzarella fresco, queijo feta ou outro queijo a gosto.



22
Abr15

Say frittata!


















Há palavras de que gosto muito e outras de que não gosto nada.
Há palavras cómicas, há palavras leves, há outras pesadas e cinzentas, que ainda que os seus significados sejam inofensivos provocam-me calafrios.

Quando era pequena costumava associar cores às palavras, aos números e às letras. Por exemplo, o A para mim é branco, o E é amarelo, o I é vermelho, o O é castanho e o U é preto. Há por aí alguém com esta mania? Ou sou só eu que sou maluquinha ;)?

Isto para dizer que adoro a palavra 'frittata'. E apesar de ser uma palavra italiana, apetece-me dizê-la sempre com uma entoação asiática exagerada, bem ao estilo de Mr. Chow do filme "A Ressaca". Got the picture? Aposto que já estão a treinar aí desse lado, eheheh!

Não é novidade que os ovos são aquele ingrediente que melhor nos pode salvar de apuros, quando estamos com a despensa vazia, estamos sem inspiração ou sem grande vontade de cozinhar. Com eles facilmente criamos um prato saboroso e nutritivo. Como esta frittata. Mas a receita que vos trago é só uma ideia, sintam-se livres de fazer outras combinações, mais ao vosso gosto e ao que tiverem no frigorífico. Só têm de me prometer que vão dizer "frittataaaa"!















FRITTATA DE BATATA DOCE E AGRIÃO

(Para 4 pessoas como refeição leve ou para cerca de 6 pessoas como entrada)

1 batata doce grande
6 ovos
1 cebola
2 dentes de alho
50 g de bacon partido em cubos
1 chávena almoçadeira de agriões
1 folha de louro
Sal
Pimenta preta
Azeite
50 g de queijo feta ou queijo de cabra (opcional)
Salsa picada para servir (opcional)

Lave bem a batata doce e leve a cozer com pele num tacho com água abundante temperada com sal.
Numa sertã (idealmente daquelas que podem ir ao forno, como esta da Le Creuset), leve a saltear num fio de azeite a cebola e os alhos picados, juntamente com a folha de louro. A meio do processo junte os cubos de bacon e deixe cozinhar. Entretanto ligue o forno nos 200º.
Quando a batata doce estiver cozida, retirar da água para um prato. Assim que tiver arrefecido o suficiente para lhe poder retirar a pele, faça-o e junte a batata-doce à sertã, retirando antes a folha de louro. Não faz mal se a batata estiver bastante cozida, pode ficar uma espécie de puré. Envolva bem no salteado e tempere com pimenta preta acabada de moer e mais sal, se necessário.
Entretanto bata bem os ovos e tempere-os igualmente de sal e pimenta. Espalhe na sertã os agriões, os pedacinhos de queijo e por fim verta os ovos batidos. Com um garfo, pressione com cuidado os agriões, para ficarem cobertos pelo ovo.
Leve ao forno cerca de 20 minutos ou até os ovos estarem no ponto de que gosta, eu gosto que não cozam completamente...
Polvilhe com salsa picada, se tiver, e sirva com pão e salada.




Teresa Rebelo

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