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Lume Brando

12
Abr18

Arrufadas sem arrufos [receita de arrufadas de batata-doce e cenoura]

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Gosto cada vez mais de fazer pão em casa. Ainda me falta entrar na aventura da fermentação lenta, da massa-mãe e do pão sourdough, mas lá chegarei.

 

Por agora vou fazendo receitas mais simples. E confesso que quando vejo alguma receita de pão daquelas que se comem com os olhos, seja numa revista em papel ou num blog, tenho de me controlar para não ir logo para a cozinha pôr as mãos na massa. E tenho um fraquinho - acho que se nota pelas receitas que tenho colocado aqui - pelos pães de leite ou pães doces. Ainda que não sejam o produto de padaria mais saudável, eu sei.

 

Foi o que me aconteceu com as arrufadinhas de batata doce que vi no Frango do Campo, o blog da querida Naida, na altura da Páscoa. Tinham um ar tão yummy. E ainda por cima levavam batata-doce, um dos meus ingredientes favoritos. Tinha de experimentá-la.

 

Ontem foi o dia. Até porque este tempo fora de tempo, com a chuva e o frio a fazerem-se de convidados todos os dias desta primavera adormecida, se aguenta melhor com o forno ligado.

 

Não fiz grandes alterações à receita original, apenas troquei 50 g de batata-doce por 50 g de cenoura (porque a minha batata-doce, assim como a da Naida, era de polpa branca e eu queria dar-lhe um tom alaranjado, o que acabou por não acontecer), e usei leite de vaca em vez de leite de soja. Ah, e vêem aquelas arrufadas com umas marcas na superfície, uma espécie de cruz? Foi para marcar as três arrufadas onde escondi um quadrado de chocolate... gulosa é o meu nome do meio, não há remédio 😆

 

Devo dizer-vos que ficaram deliciosas. A batata-doce confere uma humidade maravilhosa à massa, que fica com uma "migalha" fantástica. A repetir e a explorar as suas variantes, pois pareceu-me uma massa bastante versátil. Vem aí o fim de semana - que tal aproveitar para mimar a família com uma fornada destas riquezas?

 

Bom fim de semana!

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ARRUFADAS DE BATATA-DOCE E CENOURA

Para 9, grandinhas

 

150 g de batata doce cozida

50 g de cenoura cozida

120 ml de leite meio-gordo
40 g de manteiga à temperatura ambiente
25 g de fermento de padeiro
1 ovo
1 colher de chá de sal
30 g de açúcar amarelo
400 g de farinha
9 quadrados de chocolate (opcional)
1 ovo batido para pincelar
Açúcar em pó para polvilhar
 
Descasque a batata-doce e a cenoura e leve a cozer com um fundo de água (a cenoura demora mais a cozer, como não a coloquei a cozer antes da batata-doce, acabou por não ficar muito bem triturada, mas não fez diferença).
Triture para obter um puré. Reserve.
 
Desfaça o fermento de padeiro num pouco de água morna (aí umas 2 colheres de sopa de água).
Numa bacia, misture o puré, o leite, o açúcar, a manteiga e o fermento desfeito na água morna.
Junte o ovo, o sal e a farinha, misturando tudo muito bem.
 
Amasse um pouco até obter uma massa macia e uniforme, forme uma bola, coloque-a na bacia, tape e deixe levedar cerca de 1 hora ou até duplicar o tamanho (embrulhar a bacia numa manta ou usar esta bacia - tenho uma, oferecida por uma amiga, ajuda).
 
Com as mãos enfarinhadas, vá formando pequenas bolas - se quiser, coloque um quadrado de chocolate no interior de cada bola, rodando e fechando completamente a massa.
Coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal.
Tape com um pano e deixe levedar mais 20 ou 30 minutos.
 
Entretanto ligue o forno nos 180ºC.
Pincele os pãezinhos com ovo batido e leve ao forno durante cerca de 30 minutos ou até estarem bem dourados e cozidos. Se achar que estão a ficar escuros demasiado depressa, tape com folha de alumínio.
Para transformar os pães em arrufadas, polvilhe-os com açúcar em pó.
 
Mais receitas de pães de leite ou pães doces:
 
 
 
06
Abr18

Sobremesa de conforto [receita de tiramisù de castanha]

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Se há coisa de comer que deixa o provador-mor cá de casa feliz são crepes com doce de castanha. Mas a verdade é que há muito tempo - diria anos - que tal não aparecia nos menus cá de casa.

 

No último Dia do Pai, resolvi fazer uma surpresa: comprei o doce de castanha da Bonne Maman, que é delicioso, fiz uma massa de crepes com antecedência - tenho reparado que a massa de crepes, quando repousa algumas horas no frigorífico, fica ainda melhor -  e foi a nossa sobremesa no jantar desse dia, para grande alegria do homenageado.

 

Mas não gastei o frasco todo - na verdade, tinha comprado dois frascos, just in case 😆 - e como uma vez aberto não aguenta muito tempo, decidi que estava na hora de experimentar o tiramisù de castanha do blogue Coco e Baunilha, uma sobremesa linda, daquelas de criar água na boca, que também já tinha conquistado o Célio, do Sweet Gula.

 

Preparei o tiramisù a pensar no domingo de Páscoa, que passámos na aldeia. Só vos posso dizer que fez o maior sucesso. Como a Patrícia diz, é uma sobremesa do demo, o que, se pensarmos bem, torna-a numa escolha um pouco herege para a Páscoa, ehehehe.

 

Apesar de a ter fotografado, tinha pensado inicialmente em não publicá-la, pelo menos para já, uma vez que é uma sobremesa um pouco invernosa e já só ansiamos por sabores frescos de primavera. Mas já viram como está o tempo hoje? Pelo menos aqui no Norte, está daqueles dias em que só apetece ficar em casa, a preguiçar.

 

E parece que o fim de semana vai continuar assim, aborrecido. Por isso, aqui fica uma sugestão de 'sobremesa de conforto', para enganarmos este inverno que nunca mais acaba.

 

Com chuva ou sem chuva, com mais ou menos preguiça, bom fim de semana!

 

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TIRAMISÙ DE CASTANHA

Receita ligeiramente adaptada do blog Coco e Baunilha

 

Para uma forma quadrada de 20 cm

 

24 palitos La Reine

500 g de queijo mascarpone (2 embalagens)

3 ovos grandes

60 g de açúcar amarelo

1/2 colher de café de essência ou extrato de baunilha

Vinho do Porto qb

1 chávena almoçadeira de café frio

Cerca de 6 colheres de sopa de creme de castanha (usei da Bonne Maman)

 

Para a cobertura:

200 ml de natas para bater (1 pacote, que deve estar bem frio)

100 g de creme de castanha

Cacau em pó para polvilhar

 

Forre a forma com papel vegetal, de forma a sobrar papel à altura das laterais (usei duas tiras de papel), para que depois seja mais fácil desenformar (untar a forma com manteiga ajuda a colar o papel - ótima dica do Célio, do Sweet Gula).

Separe as gemas das claras.

Bata as gemas com o açúcar e o mascarpone.

Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura anterior, com suavidade.

Disponha uma camada deste creme no fundo da forma (cerca de 1/3 do creme).

Junte um fio de vinho do Porto ao café e vá molhando aí os palitos La Reine, fazendo uma camada de palitos por cima do creme.

Espalhe cerca de 3 colheres de sopa do creme de castanha por cima dos palitos.

Faça mais uma camada do creme de ovos e mascarpone.

Repita com os palitos embebidos no café e o doce de castanha.

Termine com uma camada da mistura de ovos e mascarpone.

Alise e bata na bancada para retirar eventuais bolsas de ar.

Tape com película aderente e leve ao congelador (o ideal é fazer esta sobremesa de véspera).

 

Retire o tiramisù do congelador algumas horas antes de servir, desenformando-o e mantendo-o no frio.

Pouco antes de servir, prepare e aplique a cobertura: bata as natas em chantilly (sem açúcar).

Adicione suavemente o creme de castanha e disponha-o no tiramiù com a ajuda de um saco e bico pasteleiro.

Polvilhe com cacau em pó. E reze para conseguir comer só uma fatia!

 

29
Mar18

Caça às bolachas [receita de bolachas decoradas de Páscoa]

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Cá por casa, já não se fazem bolachas a várias mãos como antigamente. Os rapazes estão no início da adolescência e, se for para me ajudar a cozinhar, preferem que seja com um prato salgado ou uma sobremesa "a sério" e não a preparar guloseimas com um toque infantil. Mas eu sou uma romântica e uma naïf e continuo a adorar estes pequenos mimos.

 

Estas bolachas são uma receita que tinha preparado para o capítulo da Páscoa do meu livro, "Estava Tudo Ótimo!", mas este tema acabou por não entrar por limite de paginação. São tão simples de fazer e decorar - e ficam tão boas e estaladiças - que achei que mereciam ter lugar aqui no blogue. E também porque sei que muitos de vocês têm filhos pequenos em casa e fazer bolachas por estes dias de férias escolares - e de meteorologia pouco simpática - é um ótimo programa em família.

 

Aqui fica a receita, com os meus votos de Boa Páscoa!

 

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BOLACHINHAS DE MANTEIGA DECORADAS

 

Esta é a minha receita favorita para bolachas feitas com cortadores: consigo estender a massa bem fina e ficam muito estaladiças. Se quiser decorá-las de forma mais complexa, como por exemplo com pasta de açúcar ou uma camada completa de glacé, faça-as com mais espessura.

 

Para cerca de 60 bolachas de tamanho médio:

300 g de farinha de trigo sem fermento

150 g de açúcar amarelo

140 g de manteiga fria cortada aos pedaços

1 ovo L

 

Para decorar:

Confeitos de açúcar coloridos

Bisnaga de glacé/Lápis pasteleiro (ou um pouco de glacé caseiro)

Fio ou fitas para pendurar

 

Para além dos utensílios habituais para este tipo de receita (tabuleiro, rolo, cortadores... irá precisar de uma palhinha de plástico, para furar as bolachas)

 

Coloque todos os ingredientes numa taça e misture-os com as pontas dos dedos, até obter uma massa ligada.

Amasse só até que fique uniforme.

Divida em duas porções, dê-lhes a forma de um cilindro, envolva-as separadamente em película aderente e leve ao frigorífico cerca de 30 minutos.

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Retire a massa do frigorífico e retire um dos discos.

Polvilhe com farinha a superfície de trabalho e o rolo, e estique a massa até obter a espessura que pretende. Para estas bolachas, a minha massa esticada tinha entre 1 mm e 1,5 mm de espessura.

Veja se a massa está a descolar bem da superfície de trabalho ou se tem de colocar mais farinha.

Faça as bolachas com os cortadores (passar o cortador por farinha ajuda a um corte mais limpo e a que a bolacha se destaque mais facilmente da massa) e coloque-as, ligeiramente separadas entre si, num tabuleiro antiaderente ou forrado com papel vegetal.

Irá precisar de pelo menos dois tabuleiros, para que enquanto um está no forno, possa preparar outra rodada de bolachas.

Com uma palhinha de bebida, fure as bolachas, retirando um pouco de massa no local onde vai querer passar a fita.

Leve ao forno cerca de 12 minutos (a primeira fornada é capaz de precisar de mais alguns minutos).

Retire quando estiverem a dourar dos lados e sentir que o centro também está cozido.

Com a ajuda de uma espátula, retire-as para uma rede e deixe arrefecer.

Proceda de igual maneira para a outra dose de massa ou então, pode congelá-la para usar mais tarde.

Antes de decorar, passe os pedaços de fio ou fita pelas bolachas.

Pegue com cuidado numa bolacha e espalhe pontinhos de glacé, colando nestes os confeitos de açúcar, intercalando as cores.

 

Se não tiver uma bisnaga de glacé ou um lápis pasteleiro (à venda nos hipermercados), faça um glacé rápido com açúcar em pó e sumo de limão e use um pincel fino. Repita com as restantes bolachas, deixando secar antes de guardar numa caixa hermética, caso não as vá usar logo.

 

Outras receitas de bolachas, igualmente fáceis e deliciosas:

 

22
Mar18

Perdoar o mal que faz pelo bem que sabe [receita de rolinhos caramelizados de canela e nozes]

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Lembram-se de ter elogiado muito a massa de brioche do post anterior? De que era pouco calórica face às receitas tradicionais? Pois, isso continua verdadeiro, desde que não façamos com ela rolinhos caramelizados de canela e nozes!

 

Os cinnamon rolls são uma criação de pastelaria muito fotogénica e apetecível, que inunda os feeds do Pinterest e do Instagram, sobretudo no outono e no inverno. E são uma das utilizações sugeridas no livro Artisan Bread in Five Minutes a Day para a massa de brioche de que vos falei no post anterior.

 

Como contei no post, esta é uma massa que para além de não dar trabalho a fazer, rende bastante e, por isso, depois da trança de brioche com chocolate e de uns pães e croissants que moldei com os meus rapazes - dos quais não há registo fotográfico - ainda tinha massa no frigorífico.

 

Não resisti a experimentar estes rolinhos caramelizados de canela e nozes, cujo caramelo é feito no forno ao mesmo tempo que cozem: são uns rolinhos de canela invertidos, que no final dispensam qualquer outra cobertura. O aroma que vai saindo do forno é irresistível e o sabor não fica atrás.

 

Se são o lanche mais saudável do mundo? Não. É mesmo daqueles casos em que a expressão popular "perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe" assenta que nem uma luva. E como "uma vez não são vezes", aqui fica a receita para que vocês também possam pecar um bocadinho 😆

 

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ROLINHOS CARAMELIZADOS DE CANELA E NOZES (CARAMEL CINNAMON ROLLS)

Ligeiramente adaptado do livro Artisan Bread in Five MInutes a Day

Faz cerca de 8 rolos

 

1 porção de massa de brioche do tamanho de uma toranja (receita da massa de brioche aqui)

 

Para o caramelo

5 colheres de sopa de manteiga amolecida

Cerca de 30 metades de noz (a receita original pede nozes pecan)

1/2 chávena de açúcar mascavado (usei mascavado escuro e julgo que foi por isso que o caramelo ganhou esta cor intensa)

 

Para o recheio

4 colheres de sopa de manteiga bastante amolecida

1/4 de chávena de açúcar amarelo

1 colher de chá de canela em pó

1 pitada de noz moscada

1 mão-cheia de nozes grosseiramente picadas

 

Comece por fazer o topping de caramelo: misture bem a manteiga com o açúcar e barre este creme pelo fundo de uma forma redonda com cerca de 22 cm de diâmetro, espalhando depois as metades de nozes (não use uma forma de fundo amovível, para evitar que no forno o caramelo escorra pelas ranhuras). Reserve.

 

Partindo do princípio que tem a sua massa de brioche sem amassar no frigorífico, ou que acabou de fazê-la e já repousou o período inicial, destape o recipiente, polvilhe a superfície da massa com um pouco de farinha e retire a porção indicada de massa. Se ainda sobrar massa, volte a tapar o recipiente (pousando a tampa e não fechando hermeticamente) e guarde-o no frio.

 

Faça uma bola com as mãos e, numa superfície de trabalho muito bem enfarinhada, estique a massa até obter um retângulo com uma espessura de cerca 3 mm. Pode ter que enfarinhar o rolo e ir enfarinhando a superfície, para a massa não colar.

 

Agora prepare o recheio: misture bem a manteiga com o açúcar e as especiarias, barre a massa com esta mistura e polvilhe com as nozes picadas. Forme um rolo, enrolando a partir de um dos lados mais compridos. Parta em 8 fatias iguais e acomode-as no centro da forma (vai sobrar muito espaço à volta, mas os rolos irão crescer bastante, tanto durante a levedura como no forno).

 

Tape com película aderente e reserve num local ameno até ficar com cerca do dobro do tamanho (se estiver frio, pode demorar umas duas horas - para acelerar o processo, pode embrulhar a forma numa manta polar).

 

Pré-aqueça o forno nos 180º. Retire a película da forma e leve ao forno durante cerca de 35 minutos ou até estar bem dourado.

 

Retire do forno; com cuidado para não se queimar, passe uma faca à volta e pelo fundo dos rolos para os soltar, e desenforme, com cuidado para não se queimar, para o prato de servir. Deixe arrefecer um pouco antes de provar!

 

Outras receitas gulosas:

15
Mar18

Dos meus livros de cozinha favoritos [e a melhor receita de massa de brioche]

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Tenho um livro de cozinha, já com muitos anos, a cujas páginas regresso regularmente com prazer. E é curioso porque nem sequer é dos livros mais bonitos que tenho. Confesso que às vezes julgo os livros pela capa e pelo seu design interior, mas este é um livro muito simples e básico a esse nível, quase não tem imagens. Mas o seu conteúdo é um verdadeiro tesouro no que diz respeito a receitas de pão e derivados. É o Artisan Bread in 5 minutes a day, que parte do conceito da massa de pão que não é amassada, o famoso no-knead bread.

 

Já por várias vezes repliquei receitas do livro - estão linkadas no final do post -  e nunca saí desapontada. Mas a verdade é que nunca tinha experimentado as versões mais "adocicadas", como o brioche. E coloco "adocicadas" entre aspas, porque uma das coisas que me surpreendeu nesta receita é que não leva açúcar enquanto ingrediente, apenas uma pequena quantidade de mel.

 

De entre os meus guilty pleasures - sim, tenho vários, shame on me! - estão os pães de leite e croissants, que como só muito de vez em quando por razões óbvias. Sempre que me deparo com uma receita destas iguarias, encho-me de vontade de ir para a cozinha, mas quando acabo de ler todos os passos, fico desanimada e acabo por desistir. Esta semana, deu-me para tirar o livro da prateleira e, um pouco à sorte, fui parar à página da receita de brioche.

 

Mais uma vez, a receita não desiludiu. Pelo contrário, superou as minhas expectativas. E é tão simples, mas tão simples de fazer, que vai passar a clássico cá em casa, na hora de dar de lanchar - ou brunchar - à família e aos amigos.

 

A única coisa que a massa exige, e nem sequer é muito, é tempo de espera. Quase nada de trabalho manual, nada de amassar, nada de ganchos e batedeira, apenas 5 minutos a preparar e a misturar os ingredientes.

 

À semelhança das outras receitas do livro, depois das duas horas iniciais em que a massa fica a levedar à temperatura ambiente, guarda-se no frigorífico. Esta pode usar-se nos próximos cinco dias, uma massa de pão sem ovos, dura até 15 dias. Se preferir, pode depois do repouso inicial congelar a massa - aconselho que o faça em porções do tamanho de uma toranja - descongelando-a com antecedência no frigorífico quando for usá-la.

 

Quando quiser cozer, e partindo do princípio que tem a sua massa no frigorífico, só tem de retirar uma porção do recipiente, dar-lhe a forma pretendida e deixá-la levedar entre 1h30 a 2h30, dependendo da temperatura ambiente. 

 

Depois é só levar ao forno e voilá: brioche caseiro à sua mesa. Quem diz brioche, diz croissants, regueifa doce, rolinhos de canela ou até pão de hambúrguer: as possibilidades são infinitas! Como ainda tenho massa no frigorífico, nos próximos posts mostrarei outras formas de usar esta receita todo-o-terreno. Se por acaso experimentarem-na, digam-me como correu!

 

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MASSA DE BRIOCHE SEM AMASSAR - TRANÇA DE BRIOCHE COM CHOCOLATE

Ligeiramente adaptado do livro Artisan Bread in Five Minutes a Day

 

Massa base:

500 g de farinha de trigo 55 sem fermento

1 pacotinho de fermento Fermipan

185 ml de água morna

1 pitada de sal

4 ovos ligeiramente batidos

1/4 de chávena* de mel de rosmaninho (ou de um mel de sabor neutro)

180 g de manteiga derretida

 

*250 ml de capacidade

 

Para a trança de brioche com chocolate

1 porção do tamanho de uma toranja de massa de brioche

50 g de chocolate negro picado ou de pepitas de chocolate

Farinha para trabalhar a massa

Leite ou ovo batido para pincelar

Açúcar mascavado para polvilhar por cima (opcional)

 

Numa taça que tenha tampa, junte à água morna o fermento, o sal, os ovos, o mel e a manteiga derretida.

Junte a farinha aos poucos, com a ajuda de uma colher de metal.

Não mexa demasiado, só até a farinha estar toda incorporada.

Coloque a tampa do recipiente, mas sem fechar hermeticamente e reserve à temperatura ambiente durante duas horas.

A partir daqui, pode colocar toda a massa no frigorífico, mantendo o recipiente tapado (com a tampa apenas pousada e não fechado hermeticamente); congelar em porções, ou fazer logo um pão, como o que se segue.

 

Para a trança de brioche com chocolate (descrição atualizada!)

Polvilhe a superfície da massa reservada com farinha, para que seja mais fácil retirar uma porção com a dimensão aproximada de uma toranja.

Com as mãos enfarinhadas, dê-lhe a forma de uma bola, alisando a superfície e empurrando a massa para o fundo a toda a volta, rodando a massa.

Polvilhe com bastante farinha a superfície de trabalho e estique a massa num retângulo, pode ter que ir polvilhando para a massa não agarrar ao rolo. Corte em duas partes ao comprimento e divida o chocolate pelos dois pedaços de massa, deixando margens à volta. Enrole cada um dos retângulos, una-os em forma de trança dupla, una bem as pontas e coloque-a num tabuleiro forrado com papel vegetal e polvilhado com farinha.

Tape com um pano de cozinha e deixe levedar num local ameno até ficar com cerca do dobro do volume, o que deve demorar de 1h30 a 2h30.

Perto do final da levedura, ligue o forno nos 180º.

Pincele a trança com leite (eu polvilhei depois com açúcar mascavado mas concluí que se não o tivesse feito teria ficado ainda mais bonito, não acrescenta muito).

Leve ao forno durante cerca de 35 minutos, a uma altura média, acompanhado de uma panela ou tabuleiro com água a ferver, que deverá colocar na base do forno. Se achar que a trança está a dourar muito depressa, cubra com alumínio.

Retire do forno, deixe arrefecer um pouco e delicie-se!

 

Notas:

- Esta é uma adaptação da receita original para metade da dose, que pede, por exemplo, 8 ovos. Mesmo assim, rende bastante e uma dose como a que descrevo acima deve dar para, no mínimo, três pães como este.

- Normalmente as receitas de brioche pedem mais manteiga e açúcar, por isso acho esta receita bastante equilibrada: o adoçante é mel e a quantidade de manteiga, se pensarmos na quantidade de pães e porções individuais que uma dose destas permite fazer, é bastante comedida.

- Apesar das 2 horas iniciais para levedar, mais o tempo final de repouso, parecer muito, é muito menos do que as receitas de brioche tradicionais pedem: algumas chegam a pedir que a massa repouse 24 horas!

- O recipiente com água a ferver no forno não faz parte da receita original mas é o truque que eu costumo usar quando cozo pão, para garantir humidade e uma crosta deliciosa. Neste tipo de pão não é algo essencial, mas eu acho que ajudou a uma crosta mais saborosa.

 

Mais receitas de pão sem amassar:

09
Mar18

Cook for Syria [Receita de almôndegas de frango e amêndoa no forno]

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Nos últimos dias, as notícias sobre a terrível situação que se vive na Síria foram particularmente chocantes. Segundo um balanço noticiado no início desta semana, os ataques que têm assolado Ghouta Oriental desde o dia 22 de fevereiro já mataram 800 civis, sendo que 177 eram crianças. A somar às centenas de milhares de mortos e refugiados desde que o conflito começou. A somar aos que morreram ontem e que vão continuar a morrer amanhã. Uma guerra hedionda que parece impossível estar a acontecer em pleno século XXI.

 

É impossível ficar indiferente a este drama, ainda que o sentimento seja de impotência. E de alívio egoísta: que sortudos somos em ter nascido num país pacífico. Nem sequer ouso imaginar o sofrimento das famílias sírias ao longo dos últimos sete anos. Famílias para quem o simples ato de cozinhar e partilhar uma refeição tornou-se um luxo inacessível: por falta de condições, por falta de alimentos ou porque simplesmente já não há família.

 

Apesar de só os políticos e os diretamente envolvidos no conflito sírio poderem pôr-lhe um fim, há pequenos gestos de solidariedade que podem contribuir para apoiar as vitimas e foi nisso que pensaram Clerkenwell Boy - um famoso foodie e instagrammer australiano a viver em Londres, e Serena Guen, fundadora da revista Suitcase. Juntos idealizaram o projeto #cookforsyria, tendo mobilizado para a causa uma montanha de chefs e bloggers de cozinha. O livro Cook for Syria é a face mais visível dessa iniciativa, cujo resultado das vendas reverte para o programa de ajuda humanitária na Síria da Unicef.

 

Quando estive em Londres, em novembro passado, tive a sorte de passar pelo Old Spitalfileds Market no momento em que estava a decorrer um evento ligado ao projeto, com venda de bolos e do livro. Comprei um exemplar e achei que por estes dias fazia todo o sentido explorá-lo e homenagear a cozinha síria, que é tão rica e aromática, com tantos ingredientes de que eu gosto.

 

As receitas do livro não são necessariamente receitas tradicionais sírias, mas sim receitas inspiradas na gastronomia síria e nos seus ingredientes, criadas por dezenas de bloggers de cozinha e chefs - há até uma receita do chef português radicado em Londres Nuno Mendes.

 

Escolhi para primeira experiência umas almôndegas de frango e amêndoa, servidas com um molho feito com manteiga de amêndoa - que fiz pela primeira vez - e caldo de galinha. Um contributo para o livro de Ameelia Freer, que foi um sucesso cá em casa.

 

Antes de passarmos à receita, queria só deixar mais duas sugestões de como apoiar o povo sírio: comprando outro livro solidário, este disponível em português: "Uma Sopa para a Síria" ou indo ao restaurante Mezze, em Lisboa, um interessante projeto da Associação Pão a Pão que visa a integração de refugiados sírios e do Médio Oriente no nosso país.

 

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ALMÔNDEGAS DE FRANGO E AMÊNDOA NO FORNO [COM MOLHO DE MANTEIGA DE AMÊNDOA]

Ligeiramente adaptado do livro #CookForSyria

 

Para o molho de amêndoa

150 ml de caldo de galinha quente*

100 g de manteiga de amêndoa**

Raspa de 1 limão

Sal qb

 

Para as almôndegas (25-30 unidades)

500 g de carne de coxas e pernas de frango*** picadas no robot de cozinha

(equivalente a umas 4 pernas completas)

1 ovo batido

1/2 talo fino de alho francês picado 

4 colheres de sopa de farinha de amêndoa (moí miolo de amêndoa, parte dela com pele, na Bimby)

2 colheres de sopa de coentros frescos picados

1 colher de chá de coentros secos

1 colher de chá de cominhos moídos

Pimenta preta acabada de moer qb

Sal qb

Azeite para pincelar

 

Comece por preparar o molho: junte lentamente o caldo quente à manteiga de amêndoa. No início vai parecer que a manteiga está a engrossar, mas continue a adicionar caldo e a mexer com um batedor de varas, até ficar com a consistência macia de natas espesssas. Junte-lhe a raspa do limão, retifique o sal se achar necessário e reserve.

 

Para as almôndegas, ligue o forno nos 200º e forre um tabuleiro com papel vegetal.

Junte todos os ingredientes numa taça grande. Humedeça as mãos e faça bolinhas do tamanho de brigadeiros.

Disponha-as no tabuleiro e pincele-as com azeite.

Leve ao forno durante cerca de 15-20 minutos.

Entretanto aqueça de novo o molho, mas lentamente: se aquecer rapidamente a alta temperatura, o molho irá transformar-se numa pasta!

Sirva bem quente com uma salada de alfaces ou legumes verdes cozidos e arroz branco.

 

* Eu usei os ossos das pernas e das coxas do frango para fazer o caldo, juntando numa panela grande 2 cenouras partidas aos pedaços, 1 folha de louro, 1/2 talo de alho-francês, 1 cebola, 2 dentes de alho, um raminho de salsa, um fio de azeite, pimenta preta qb, sal e sal de aipo qb. Cobri com água e deixei cozer lentamente até ter reduzido bastante, aí umas duas horas. Coei e guardei num frasco - com o que sobrou vou fazer um risotto.

 

** Para fazer a manteiga de amênda, coloque no robot de cozinha duas chávenas de miolo de amêndoa sem pele, levemente tostado. Triture, empurrando de vez em quando para baixo o que ficar agarrado às paredes do copo. O processo deve demorar uns 15-20 minutos. Está pronto quando atingir uma textura bem macia. Pode juntar um pouco de azeite ou óleo vegetal, para ajudar a triturar melhor e ficar mais cremoso. Tempere com sal, volte a triturar, retire e reserve. 

 

*** Pode fazer as almôndegas com peitos de frango em vez de pernas completas, no entanto, para além da carne destas ser mais suculenta, pode aproveitar os ossos para fazer o caldo, como expliquei em cima; para não ter o trabalho que eu tive de desossar as pernas, peça no talho para o fazerem e não se esqueça de pedir os ossos ;)

 

Mais receitas inspiradas na gastronomia de outros países:

 

01
Mar18

O coração da casa [e uma receita de pão de banana e chocolate]

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Há alguns anos, quando estávamos a vender a nossa primeira casa e à procura desta, um dos vendedores imobiliários com quem falámos disse-nos que a divisão que mais peso tinha na decisão dos compradores era a cozinha. Não sei se será mesmo assim, mas o certo é que este é um espaço com um papel central na nossa vida diária e onde passamos muito do nosso tempo, por muito pouco que gostemos ou possamos cozinhar.

 

No caso desta casa, a cozinha original não era nada de especial, mas tinha uma grande qualidade: a dimensão. Era uma cozinha grande, à semelhança de todas as divisões da casa, aliás, foram as áreas dos espaços e a localização central que nos levaram a escolher este apartamento. Uma cozinha ampla, para alguém que gosta de cozinhar e que coleciona loiça, tachos, e gadgets culinários diversos, faz toda a diferença.

 

Acontece que, de facto, a cozinha não era nada de especial. Não nos identificávamos com o chão, nem com a bancada, nem com os azulejos (que pintámos de branco logo no início), nem com os armários da cor da madeira que se deterioraram com alguma rapidez. Isto, a somar à fraca qualidade do verniz do soalho da casa, que na sala ficou num estado lastimoso em três tempos, fez com que aos poucos fôssemos pensando numa remodelação.

 

Começámos a pensar nisso a sério em 2016, com a ajuda de um arquiteto. As obras começaram em 2017 e, como contei aqui, só este fevereiro é que ficaram prontas, após cinco meses a viver noutra casa. Desde sempre que a nossa ideia passava por unificar de alguma maneira a sala e a cozinha, porque como gosto muito de cozinhar e de receber, sentia que quando tinha convidados em casa, a parede entre a sala e a cozinha prejudicava o convívio.

 

Não queríamos propriamente um open space - até porque havia pilares que não permitiam essa solução, mas depois de muitas horas de Pinterest, o conceito da parede envidraçada deixou-nos completamente apaixonados e foi a partir daqui que o arquiteto trabalhou e desenhou todos os elementos, desde as novas portas aos armários que fizemos na sala. E como queríamos mais luz - o corredor da entrada era forrado a madeira na sua cor natural (como as portas e os roupeiros de toda a casa) e acabava por tornar o ambiente um pouco escuro - quisemos que o branco passasse a ser a cor dominante.

 

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Dizem que no fim de umas obras já se fazia tudo diferente, mas estranhamente (ainda) não sinto isso. Estou muito contente com o resultado, apesar de ainda ser necessário retificar alguns 'pormaiores' na pintura e ainda que faltem alguns detalhes de decoração, tanto na cozinha como na sala.

 

Agora tenho uma bancada de trabalho gigante - uma península, encostada ao painel envidraçado que separa a cozinha da sala - perfeita para esticar massa de pizza e para espalhar toda a parafernália que bolos e sobremesas mais sofisticados exijam. Mas ainda não é uma receita dessas, rebuscadas, que vos trago! Hoje é um apenas um simples pão de banana e chocolate, numa versão um pouco diferente das que já tinha aqui no blogue, e cujos links coloco no final do post.

 

Parte da farinha é de aveia, a gordura que leva é azeite e tem um topping crocante de chocolate e nozes. Uma delícia que distribuí por quatro formas pequenas, em vez de uma forma grande. Embrulhado em celofane e com um laçarote catita, é uma ótima opção para uma presente caseiro.

 

Deixo-vos com a receita, enquanto vou ali roubar uma fatia deste pão de banana e chocolate e derreto-me, uma vez mais, com a minha cozinha nova ❤️

 

Ah, para os mais curiosos: a cozinha é da empresa J.Dias (o tampo das bancadas é em Dekton, um material muito resistente ao calor, às manchas e aos riscos). O mosaico do chão é da Kerion e os azulejos são Primus vitória. Os eletrodomésticos são Siemens, todos da cozinha anterior: têm 12 anos e continuam impecáveis.

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PÃO DE BANANA E CHOCOLATE COM TOPPING CROCANTE

Para 1 bolo grande ou 4 bolos mais pequenos

 

1 chávena de farinha de trigo sem fermento

1 chávena de farinha de aveia integral (moí flocos de aveia integral na Bimby)

1/4 de chávena de açúcar amarelo

1 colher de chá de fermento em pó

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

1 pitada de sal

70 g de chocolate negro

2 ovos L

2 bananas bem maduras

1/2 chávena de leite magro

1/4 de chávena de azeite

 

Para o topping crocante:

Uma mão cheia de nozes picadas

1/4 de chávena de açúcar amarelo

1 colher de sopa bem cheia de manteiga derretida

2 colheres de sopa de farinha ou flocos de aveia

30 g de chocolate negro

 

Ligue o forno nos 180º. Unte uma forma grande de bolo inglês ou quatro mais pequenas - se usar formas de cartão descartáveis não precisa de untar. As minhas tinham 19 cm de comprimento por 7 cm de largura.

Comece por preparar o topo crocante (o famoso streusel, para os anglo-americanos), misturando numa taça todos os ingredientes com os dedos, menos o chocolate, até obter uma espécie de areia. Pique 100 g de chocolate e junte a esta mistura cerca de 30 g, reservando o restante para a massa.

Noutra taça, desfaça as bananas e junte os restantes ingredientes líquidos. Noutra, junte todos os ingredientes  secos, à exceção do chocolate. Misture os secos, com cuidado, na mistura líquida e, por fim, envolva o restante chocolate picado.

Distribua pela(s) forma(s) e espalhe por cima o streusel. Leve a cozer entre cerca de 25 minutos (formas pequenas) e 45 minutos (forma grande). Vá espreitando e faça o teste do palito para se certificar de que está cozido.

 

Outros posts com receitas de banana bread:

21
Fev18

Home sweet home [e uma receita de cheesecake banoffee]

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Já me tinham avisado. Fazer obras pode ser um teste à tua sanidade mental. À tua resistência psicológica. À tua capacidade de relativizar as contrariedades.

 

A remodelação de parte do nosso apartamento obrigava-nos a sair de casa. Hall de entrada, sala, cozinha, lavandaria. Partes de parede para deixar abaixo, revestimentos de madeira para alterar, portas para substituir, armários para embutir, soalho para renovar. Cozinha nova do chão ao teto. Era impossível ficar em casa. Coisa para demorar dois meses, no máximo três. Palavra de empreiteiro.

 

Saímos no dia 6 de setembro, após esvaziarmos meia casa e enchermos os quartos de caixas e eletrodomésticos. Regressámos dia 11 de fevereiro.

Cinco meses depois.

Após várias datas adiadas.

Ainda com detalhes de pintura e carpintaria por terminar.

Com vários episódios caricatos pelo meio. Típico deste meio, dizem.

 

Tivemos a sorte de um irmão meu estar a viver perto de nós. Foi a solução mais prática. Apesar do espaço reduzido que iríamos ter e de outras limitações, os miúdos não precisavam de alterar (muito) as suas rotinas. E eu podia continuar a trabalhar a partir de minha casa, no escritório, apesar do pó.

 

Ao longo destes cinco meses houve altos e baixos. Alturas em que estava confiante de que as obras estavam a correr bem e a avançar e semanas em que não via uma única alteração e a única coisa que me apetecia fazer era bater com a cabeça na parede, depois de exaltadas discussões com o empreiteiro. Não passar o Natal em casa foi um momento crítico. Ver os miúdos começarem o segundo período sem as condições ideais de estudo e brincadeira foi complicado. Sobretudo para eles, que têm sido uns heróis. Uns bravos.

 

Até meados de dezembro ainda fui publicando no blogue. Mas a vontade foi diminuindo, fui desanimando. No final do ano decidi que só voltava a postar quando regressasse a casa. Quando tivesse de novo os meus tachos, as minhas loiças, o meu espaço. Sempre a pensar que seria em janeiro, mas os dias iam passando e havia sempre ‘encrencas’, para usar uma expressão do meu pai.

 

Nestes últimos meses dei por mim a pensar nas pessoas que deixam de ter casa – não temporariamente, não por vontade própria e por bons motivos, como eu – mas devido a catástrofes naturais ou a outras circunstâncias infelizes. Imagino o sofrimento que é. Lembrar-me dessas situações foi uma maneira de relativizar as pequenas chatices que estar fora de casa tanto tempo me trouxe.

 

A nossa casa, o nosso espaço, as nossas pequenas coisas: é incrível como esta é uma componente fundamental para o nosso equilíbrio. É algo que damos como adquirido e a sua falta deixa-nos desorientados. A sensação de que a nossa vida fica de alguma forma em suspenso. Não é bom.

 

Apesar deste desabafo, quero dizer-vos que, depois desta saga, e apesar dos percalços, estou muito feliz com a remodelação que fizemos. Com a nossa entrada, sala e cozinha novas. E por falar na cozinha, devo dizer que não tenho nada a apontar ao fabricante de cozinhas que escolhemos. A cozinha, no que respeita a armários e bancadas, foi feita por outra empresa, escolhida e encomendada diretamente por nós e não pelo empreiteiro. Cumpriram tudo e só não montaram a cozinha mais cedo porque o resto das obras estava atrasado. Pronto, reconheço: nem tudo correu mal. Só ainda não vos posso mostrá-la, porque houve uns percalços com os eletrodomésticos e as portas dos armários ainda não estão todas montadas.

 

Agora, com a cabeça ainda a digerir todo o processo das obras e da mudança - que deu uma trabalheira gigantesca - há que aproveitar ao máximo esta luz, este ambiente que tanto idealizámos. Uma atmosfera inspiradora para a nossa família e que espero de alguma forma conseguir transmitir-vos nos próximos posts. Prometo que vou tentar publicar receitas de forma mais regular e que vos vou mostrando alguns apontamentos da nova decoração.

 

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Para assinalar este regresso, partilho uma receita de cheesecake de Jamie Oliver, que vem no seu livro Five Ingredients, prenda de natal de uma prima querida. A primeira receita preparada na cozinha nova. A primeira receita fotografada na “casa nova”.

 

Achei o ponto de partida para este cheesecake gelado genial: a tarte banoffee. E de sabor, está mais do que aprovada, no entanto fico com dúvidas sobre a sua textura, pois é muito difícil fazer com que todo o cheesecake 'descongele' de forma uniforme. Ou seja, quando as laterais começam a derreter, o interior ainda está sólido, notando-se alguns cristais de gelo. Talvez experimente um dia destes uma versão com gelatina e sem ir ao congelador. O seu sabor delicioso merece essa oportunidade.

 

Quanto à decoração de chocolate, eu bem tentei fazer lascas grandes e bonitas como se vê neste vídeo, mas não consegui, por isso, derreti o chocolate, espalhei-o sobre papel vegetal numa camada relativamente fina e levei ao frigorífico para endurecer. Depois, parti-o grosseiramente, espalhei-o pelo cheesecake e polvilhei com cacau em pó (e fiquei com vontade de decorar um bolo com estes pequenos estilhaços de chocolate!)

 

receita-de-cheesecake-banoffee_4.JPG

 

CHEESECAKE BANOFFEE GELADO

Ligeiramente adaptado do livro ‘Five Ingredients’, de Jamie Oliver

 

150 g de chocolate negro

300 g de bolachas de aveia

7 bananas maduras

225 g de leite condensado cozido

500 g de queijo-creme light

Azeite extravirgem qb*

Cacau em pó para polvilhar*

 

Derreta 50 g do chocolate em banho-maria. Pique muito grosseiramente as bolachas num robot de cozinha com duas colheres de sopa de azeite. Adicione o chocolate derretido e pique mais uma vez. Forre o fundo de uma forma de fundo amovível com esta mistura, pressionando bem com os dedos.

Descasque as bananas e coloque-as juntamente com o leite condensado cozido e o queijo-creme no robot de cozinha. Triture tudo até obter um creme macio e homogéneo. Verta sobre a forma, alise e leve ao congelador.

Passe a forma para o frigorífico umas duas horas antes de servir, ou deixe-a à temperatura ambiente para um processo mais rápido.

Derreta o restante chocolate em banho-maria e verta-o sobre papel vegetal, espalhando e alisando com uma espátula até obter uma camada de chocolate uniforme. Leve ao frigorífico para endurecer.

Desenforme o cheesecake para o prato de servir. Parta o chocolate endurecido em pedaços irregulares e espalhe-os por cima do cheesecake. Termine com cacau em pó.

 

*Neste livro, o azeite é considerado um ingrediente básico, pelo que não entra para a soma dos "5 ingredientes". Já o cacau, foi um acrescento meu.

 

Mais receitas com chocolate:

14
Dez17

Comer o que é nosso [Bochechas de porco com cenoura e vinho do Porto]

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Aqui em casa come-se de tudo. Felizmente, não há alergias nem intolerâncias alimentares. E se muitas vezes digo que podia ser vegetariana, a verdade é que gosto demasiado da cozinha tradicional portuguesa – e do Anthony Bourdain também 😂 - para abandonar a proteína animal.

 

Assim, e ainda que o porco não seja o tipo de carne mais habitual cá em casa, de vez em quando rendo-me a uns suculentos rojões, a umas costelinhas ou às minhas almôndegas de salsicha fresca.

 

Para mim, tão ou mais importante do que o tipo de carne, é a origem desta e, por isso, tento comprar apenas carne portuguesa, de produção sustentável e certificada. Como é o caso da carne de porco com o selo “porco.pt”, uma iniciativa da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), para distinguir a melhor carne de porco nacional.

 

Para que os produtores possam exibir este selo de qualidade, devem cumprir várias regras, nomeadamente a criação dos animais em condições de bem-estar e alimentados à base de cereais, entre outras especificações homologadas pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

 

Desafiada pela FPAS a cozinhar um prato cujo ingrediente principal fosse carne com selo “porco.pt”, trago-vos umas bochechas de porco. Apesar de não serem das partes do porco mais óbvias, as bochechas são extremamente saborosas e têm uma textura incrível, depois de cozinhadas lentamente. Sim, há dois requisitos essenciais para que fiquem perfeitas: temperá-las com antecedência e cozinhá-las - ao lume ou no forno - a temperatura baixa ou moderada, no mínimo durante duas horas. O resultado final é delicioso, compensando cada minuto de espera e paciência.

 

Mas antes de passarmos à receita, uma curiosidade:  sabiam que, de acordo com um estudo da FPAS, 52% dos portugueses desconhece a origem da carne que consome? Agora, em relação ao porco, não há que enganar: procurem o selo “porco.pt” no vosso talho ou supermercado, para garantir que compram uma carne de qualidade superior, saborosa e 100% “nossa”.

 

bochechas-porco-pt_2.JPG

 

BOCHECHAS DE PORCO COM CENOURA E VINHO DO PORTO

Para 4/ 5 pessoas

 

1 kg de bochechas de porco

2 cebolas

2 cenouras

4 dentes de alho

2 folhas de louro

150 ml  de vinho do Porto

100 ml de vinho branco

Pimentão doce fumado em pó qb

Pimenta preta qb

Sal qb

Azeite qb

 

De véspera, tempere as bochechas com sal, pimenta preta, pimentão doce, louro, vinho branco e vinho do Porto e um bom fio de azeite. Junte ainda as cebolas partidas em meias-luas, o alho laminado e as rodelas de cenoura. Envolva bem, tape com película e guarde no frigorífico até ao dia seguinte.

Ligue o forno nos 150º. Aqueça um fio de azeite num tacho com tampa que possa ir ao forno. Retire as bochechas da marinada e aloure-as no azeite, até corarem e ficarem "seladas". Verta sobre as bochechas a marinada, envolva bem, tape e leve ao forno entre duas horas a duas horas e meia. De vez em quando, destape e veja a quantidade de líquido, se achar que está a ficar seco, junte um pouco de água. No final, se achar que o molho está demasiado líquido, leve o tacho ao lume, retire um pouco de molho para uma taça, acrescente a esta uma colher de café de amido de milho, desfaça bem e junte de novo ao tacho, mexendo até ficar mais espesso.

Sirva com arroz - eu servi com arroz de curcuma e passas - e uma salada ou legumes cozidos.

 

Post em parceria com a FPAS/ Selo "porco.pt"

11
Dez17

Sugestão de presente caseiro para o Natal [Alperces com chocolate negro]

alperce-mix2.jpg

 

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Parece-me incrível que faltem apenas duas semanas para o Natal. Normalmente, começo a entrar no espírito da quadra de cada ano fazendo muitos planos: de decoração, de receitas para as festas de família, de presentes comestíveis. Mas depois, os dias começam a atropelar-se e nunca consigo fazer tudo o que tinha idealizado.

 

Este ano, com o atraso das obras que estamos a fazer no nosso apartamento – era suposto já estarem prontas, mas ainda nem sequer sei se poderei acordar no dia de Natal em casa, o que me tem deixado os nervos em franja - os planos ficaram ainda mais em suspenso.

 

Estando a viver em casa de um dos meus irmãos, tenho uma cozinha à minha disposição, mas fazem-me falta as minhas coisas, o meu forno, as minhas formas, os meus utensílios. Digamos que trouxe comigo um kit de sobrevivência, mas estou limitada a receitas mais simples, sobretudo no que toca a bolos e sobremesas.

 

Fazer bolachas, por exemplo, não é muito prático, pois não tenho uma grande área de trabalho. Pelo que andei a pensar numa lembrança de Natal que não exigisse grande “produção”, mas que fosse deliciosa. E aqui está ela: alperces secos banhados em chocolate negro.

 

Aviso já de que são altamente viciantes, por isso sugiro que façam uma dose bem generosa, para poderem ficar com alguns. Pensando bem, nem é preciso o pretexto do Natal e dos presentes para experimentar esta coisa boa: estes alperces com chocolate funcionam na perfeição como um snack ou como um pequeno mimo para acompanhar o café. Yummy!

 

alperces-mix.jpg

 

ALPERCES SECOS COM CHOCOLATE NEGRO

Para 50

 

50 alperces secos – cerca de 400 g

160 g de chocolate negro

 

Forre um tabuleiro com papel vegetal. Leve a derreter o chocolate em banho-maria.

Mergulhe metade de cada alperce no chocolate e coloque a secar sobre o papel vegetal. Repita com os restantes alperces. Deixe secar bem o chocolate antes de guardá-los em frascos ou sacos de celofane.

 

Teresa Rebelo

foto do autor

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