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Lume Brando

10
Mai18

Massa fresca de espinafres caseira [e as coisas cronicamente adiadas]

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Conhecem bem esta maquineta, certo? Pois bem, tenho uma cá em casa. Ainda com o plástico protetor e na caixa original. Por estrear, portanto. Há quanto anos? Há uns oito, bem à vontade.

 

Quantas vezes pensei em fazer massa fresca? Várias.

Quantas vezes fiz? Nenhuma. Ou melhor, nenhuma até à semana passada e descontando o workshop de massas frescas que fiz há uns anos na Escola de Hotelaria do Porto.

 

Em todo o caso ainda não foi desta que fiz massa fresca à séria. Ainda não foi desta que estreei a máquina.

 

Infelizmente isto não me aconteceu só com a massa fresca. Há inúmeras receitas que volta e meia penso em experimentar, mas depois acabo por cair na rotina e cozinhar muitas vezes a mesma coisa. Uma vergonha para quem se diz ser viciada em livros e revistas de cozinha. Digam-me por favor que não estou sozinha! 

 

A epifania da semana passada foi fruto de ter visto um episódio do Jamie em que ele fez estes "pici" (há quem diga que não são "pici" mas sim "trofie"). Estão no livro "Receitas Saudáveis para toda a família", que eu gostava de ter, mas não tenho (pode ser que o meu Pai Natal leia este post).

 

Antes de passarmos à receita, devo dizer que a textura desta pasta que parece feijão-verde não é perfeita, fica um pouco chewy, mas é tão simples e está tão carregada de espinafres, que isso passa a ser um detalhe com pouca importância. Mas a melhor prova de que vale a pena fazê-la e repeti-la é o facto dos meus dois adolescentes a terem devorado e a terem elogiado, sendo eles atualmente os meus comensais mais exigentes.

 

A versão das fotos, servida com um salteado de legumes, foi o meu almoço no dia em que fiz a massa. À noite, servi-a com molho de tomate caseiro e foi mesmo um sucesso.

 

Agora que ganhei um pouco de alento, acho que já não falta muito tempo para desembrulhar a máquina...

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MASSA FRESCA DE ESPINAFRES FÁCIL C/ LEGUMES SALTEADOS

 

Para a massa (receita de Jamie Oliver):

300 de farinha T55 sem fermento (se tiver acesso a farinha italiana 00, ainda melhor)

200 g de espinafres baby (1 saco + 1 pouco)

 

Para o salteado de legumes:

(usei quantidades a olho, para cerca de 1/4 da massa obtida)

 

Alho

Cebola

Courgete

Pimento vermelho e amarelo

Tomate cereja

Azeite extravirgem

Vinho branco (opcional)

Piripiri em pó

Sal

Para servir: queijo parmesão, nozes/pinhões e manjericão (não tinha manjericão mas teria sido um ótimo acrescento) 

 

Para fazer a massa vai precisar de um robot de cozinha ou de um processador de alimentos, tipo liquidificador, potente.

Coloque a farinha no robot, junte as folhas de espinafres e triture até obter uma massa moldável: já está!

Retire e forme uma bola com a massa.

Enfarinhe a superfície de trabalho e vá tirando pedacinhos de massa de tamanho de berlindes: comece por fazer uma bolinha e depois estique-as até obter uma espécie de "minhoca", o que vai demorar pelo menos meia hora - se tiver ajudantes para esta tarefa, melhor!

 

Para o salteado de legumes, leve um fio de azeite a aquecer numa frigideira.

Junte a cebola e depois o dente de alho. Deixe cozinhar um pouco e junte a courgete e os pimentos cortados em cubos. De seguida adicione o tomate cereja cortado em metades. Tempere com um pouco de sal e piripiri.

Refresque com um pouco de vinho branco e deixe que os tomates comecem a murchar e a largar os sucos.

Entretanto, coloque ao lume uma panela com água e sal. Quando estiver a ferver, insira a massa e coza durante uns 10-15 minutos (achei o tempo que a receita original menciona - 5 minutos - insuficiente).

Se achar que o salteado está a ficar seco, junte-lhe um pouco de água da cozedura da massa. Prove e retifique os temperos.

Escorra bem a massa (reservando alguma água) e junte-a ao salteado, envolvendo bem e juntando um pouco mais de água da cozedura se achar necessário.

Junte um pouco de quejo parmesão ralado, envolva bem e sirva sapicado com o manjericão, os frutos secos e mais parmesão para quem quiser.

 

Mais receitas com legumes:

03
Mai18

Bolo de amêndoa [ou uma homenagem aos sabores mediterrânicos]

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Uma das coisas de que mais gosto de fazer - se calhar até mais do que cozinhar - é folhear e ler livros e revistas de cozinha. Se possível com tempo, com calma, enquanto tomo o pequeno-almoço ou tomo um café a seguir ao almoço.

 

Foi o que aconteceu no passado feriado de 1 de maio. Um dos livros em que peguei nesse dia foi um presente que recebi no último Natal, a que ainda não tinha dado a devida atenção. Falo do Nigellissima, da voluptuosa Nigella Lawson, dedicado a receitas inspiradas na gastronomia italiana, da qual Nigella é fã (já somos duas).

 

Foram várias as receitas que me ficaram debaixo de olho e este bolo - que mais parece uma tarte - só foi a primeira, porque tinha claras no frigorífico a precisar de serem usadas. Confesso que quando a provei fiquei um pouco desiludida. Algo na textura não me deixava rendida. Mas todas as outras pessoas que a comeram - e foram várias - disseram que era "deliciosa" e "viciante", por isso o problema era eu e não a tarte.

 

Na verdade, no dia seguinte comi outra fatia e já me agradou muito mais (estou em crer que quase todos os bolos e sobremesas ficam melhor no dia seguinte).

 

O bom deste bolo, para além de ser saboroso e bonito, é que é um doce relativamente saudável: a gordura é azeite, só leva farinha de amêndoa e não leva gemas, apenas claras. Claro que temos o açúcar, que usei amarelo (a receita original pede açúcar em pó), mas quem for mais radical poderá experimentar com outros adoçantes mais interessantes do ponto de vista nutritivo.

 

Ah! A Nigella usa laranja para aromatizar a tarte, mas eu preferi o limão, por adorar limão e achar que lhe dá um toque ainda mais mediterrânico. Também cortei um pouco ao açúcar...

 

Bom fim de semana!

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BOLO DE AMÊNDOA, AZEITE E LIMÃO

Adaptado do livro Nigellissima, de Nigella Lawson

 

8 claras

120 g de açúcar amarelo

Raspa de 1 limão

120 ml de azeite extravirgem suave

150 g de amêndoas moídas

1 colher de chá de fermento em pó

75 g de amêndoas laminadas

Açúcar em pó e canela em pó para polvilhar

 

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Unte uma forma de fundo amovível com manteiga ou com azeite e polvilhe com farinha (ou com farinha de amêndoa/amêndoas moídas).

Bata as claras em castelo e quando começarem a ficar firmes junte o açúcar aos poucos, continuando a bater até obter uma mistura espessa e brilhante.

Junte a raspa de limão e de seguida vá intercalando a adição do azeite e da farinha de amêndoa/amêndoas moídas.

Verta para a forma e espalhe por cima as amêndoas laminadas.

Leve a cozer durante cerca de 35 minutos - vá vigiando, o palito deve sair seco ou apenas com algumas migalhas grossas agarradas.

Retire do forno e deixe arrefecer sobre uma rede.

Retire o aro e polvilhe com uma mistura a gosto de açúcar em pó e canela. Está pronta a servir.

 

 Mais receitas com amêndoa:

27
Abr18

Nachos caseiros [ou um viva aos fins de tarde luminosos]

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Provavelmente, quando este texto for publicado o dia vai estar cinzento e chuvoso. Afinal, estamos em abril, mês de meteorologia incerta. Mas os últimos dias foram tão generosos em termos de sol, que já só penso naqueles fins de tarde preguiçosos, que mesmo durante a semana, em dias de trabalho, permitem uma pausa de dolce far niente na varanda.

 

Uma cerveja gelada ou um copo de vinho branco fresquinho, uns petiscos, o sol a pôr-se devagarinho e não preciso de mais nada para um momento perfeito. Melhor, só se os salgadinhos ou os petiscos forem caseiros, certo?

 

Uma das minhas entradas preferidas para o tempo mais quente é o guacamole (podem clicar aqui para ver a minha receita de guacamole), servido com nachos. Acontece que estes aperitivos de compra são tudo menos saudáveis, sobretudo devido ao elevado teor de sal.

 

A boa notícia é que é muito, muito fácil, fazer nachos caseiros! Descobri isso ao experimentar uma receita de crackers de milho que a Teresa Cameira, de A Cozinha da Ovelha Negra, partilhou no Instagram.

 

A minha versão não leva sementes de linhaça moída (porque não li a receita direito e só reparei depois) e é mais condimentada, mas esta é uma receita que permite muitas variações nas especiarias e nas ervas. E é incrivelmente rápida de fazer.

 

Ficam muito saborosos e estaladiços, numa palavra: viciantes! E como vem aí o fim de semana, nem sequer temos a desculpa da falta de tempo para usar aperitivos de compra 😝

 

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NACHOS CASEIROS

(a partir de uma receita de Teresa Cameira/ A Cozinha da Ovelha Negra)

 

140 g de farinha de milho

60 g de azeite suave

60 g de água

1 colher de chá de sal fino

1 colher de chá de caril em pó (vai reforçar o tom amarelo dos nachos)

1 colher de chá de paprika fumada

1 boa pitada de pimenta preta acabada de moer

1 colher de sopa de coentros secos

 

Ligue o forno nos 190º.

Numa taça misture todos os ingredientes e forme uma bola (fica uma massa um pouco quebradiça, mas não se preocupe). Divida em duas partes.

Coloque uma das metades no centro de uma folha de papel vegetal, dê-lhe a forma de um quadrado achatado.

Cubra com outra folha de papel vegetal e estique a massa com o rolo, até obter uma espessura entre 1 e 2 mm.

Retire a folha de papel vegetal de cima, passe para um tabuleiro de ir ao forno e, com uma faca, faça marcas na massa: faça um quadriculado grande e depois marque linhas na diagonal, de forma a obter triângulos.

Leve ao forno entre 12 e 15 minutos - vá vigiando.

Retire e deixe arrefecer.

Repita com a restante massa.

Sirva de seguida ou guarde em frascos herméticos.

 

Para ver a receita de guacamole, é só clicar aqui.

 

Mais receitas de salgadinhos e petiscos:

 

20
Abr18

Obras: o resultado final [Fotos]

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Todas as fotos deste post são de Ivo Tavares, do Ivo Tavares Studio. O projeto de arquitetura foi da autoria de Ren Ito Arq. O projeto e o mobiliário da cozinha são da empresa J. Dias. Nenhuma destas referências é patrocinada.

 

O prometido é devido. Apesar de já vos ter mostrado algumas fotos da cozinha e alguns detalhes da sala, disse que um dia vos revelaria o resultado final.

 

Já tinha tirado algumas fotos assim que a casa ficou composta (esteve muitas semanas sem candeeiros, por exemplo, e continuo sem cortinados na sala), mas quando o Ren mostrou interesse em trazer cá um fotógrafo profissional, resolvi esperar pelo resultado dessa sessão fotográfica.

 

Afinal, quem sabe, sabe, e as fotos ficaram espetaculares (digamos que a casa também estava especialmente limpa e arrumada nesse dia 😆 Agora a sério, parabéns ao Ivo Tavares, pelas fotos incríveis).

 

Como fui desabafando, até chegar aqui foram precisos cinco meses de obras que pareceram uma eternidade. Depois de outros tantos meses (na verdade, mais de um ano) de projeto, orçamentação, escolha de materiais... O meu marido diz que quer voltar a fazer obras para poder pôr em prática tudo o que aprendeu neste processo. Eu digo que tão cedo não me meto noutra.

 

E, imaginem, só fizemos obras na área social do apartamento: hall de entrada, cozinha e sala. Nem sequer foi fazer uma casa. Mas pronto, não era apenas um refresh. As madeiras do hall foram todas raspadas e pintadas de branco (eram castanhas, como continua na área dos quartos 😕); o teto falso foi uniformizado e passou a existir em toda a área; as portas da cozinha, da sala e da lavandaria são novas; a cozinha é nova de uma ponta à outra (resistiram apenas os eletrodomésticos), os armários embutidos da sala também; metade da parede (à altura) entre a sala e a cozinha foi abaixo e substituída pelo painel envidraçado; o chão foi todo lixado e envernizado de novo...

 

Mas valeu a pena. Ainda faltam alguns apontamentos de decoração. Quero um quadro grande para a cozinha (parede ao lado da porta); a calha para quadros (no topo da parede da tv) ainda está sem nada pendurado; faltam cortinados e uns cadeirões, pelo menos. Mas, definitivamente, já nos sentimos em casa. E isso é mesmo bom 💛.

 

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Mais fotos aqui

 

Outros posts em que falo da cozinha e sala novas:

12
Abr18

Arrufadas sem arrufos [receita de arrufadas de batata-doce e cenoura]

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Gosto cada vez mais de fazer pão em casa. Ainda me falta entrar na aventura da fermentação lenta, da massa-mãe e do pão sourdough, mas lá chegarei.

 

Por agora vou fazendo receitas mais simples. E confesso que quando vejo alguma receita de pão daquelas que se comem com os olhos, seja numa revista em papel ou num blog, tenho de me controlar para não ir logo para a cozinha pôr as mãos na massa. E tenho um fraquinho - acho que se nota pelas receitas que tenho colocado aqui - pelos pães de leite ou pães doces. Ainda que não sejam o produto de padaria mais saudável, eu sei.

 

Foi o que me aconteceu com as arrufadinhas de batata doce que vi no Frango do Campo, o blog da querida Naida, na altura da Páscoa. Tinham um ar tão yummy. E ainda por cima levavam batata-doce, um dos meus ingredientes favoritos. Tinha de experimentá-la.

 

Ontem foi o dia. Até porque este tempo fora de tempo, com a chuva e o frio a fazerem-se de convidados todos os dias desta primavera adormecida, se aguenta melhor com o forno ligado.

 

Não fiz grandes alterações à receita original, apenas troquei 50 g de batata-doce por 50 g de cenoura (porque a minha batata-doce, assim como a da Naida, era de polpa branca e eu queria dar-lhe um tom alaranjado, o que acabou por não acontecer), e usei leite de vaca em vez de leite de soja. Ah, e vêem aquelas arrufadas com umas marcas na superfície, uma espécie de cruz? Foi para marcar as três arrufadas onde escondi um quadrado de chocolate... gulosa é o meu nome do meio, não há remédio 😆

 

Devo dizer-vos que ficaram deliciosas. A batata-doce confere uma humidade maravilhosa à massa, que fica com uma "migalha" fantástica. A repetir e a explorar as suas variantes, pois pareceu-me uma massa bastante versátil. Vem aí o fim de semana - que tal aproveitar para mimar a família com uma fornada destas riquezas?

 

Bom fim de semana!

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ARRUFADAS DE BATATA-DOCE E CENOURA

Para 9, grandinhas

 

150 g de batata doce cozida

50 g de cenoura cozida

120 ml de leite meio-gordo
40 g de manteiga à temperatura ambiente
25 g de fermento de padeiro
1 ovo
1 colher de chá de sal
30 g de açúcar amarelo
400 g de farinha
9 quadrados de chocolate (opcional)
1 ovo batido para pincelar
Açúcar em pó para polvilhar
 
Descasque a batata-doce e a cenoura e leve a cozer com um fundo de água (a cenoura demora mais a cozer, como não a coloquei a cozer antes da batata-doce, acabou por não ficar muito bem triturada, mas não fez diferença).
Triture para obter um puré. Reserve.
 
Desfaça o fermento de padeiro num pouco de água morna (aí umas 2 colheres de sopa de água).
Numa bacia, misture o puré, o leite, o açúcar, a manteiga e o fermento desfeito na água morna.
Junte o ovo, o sal e a farinha, misturando tudo muito bem.
 
Amasse um pouco até obter uma massa macia e uniforme, forme uma bola, coloque-a na bacia, tape e deixe levedar cerca de 1 hora ou até duplicar o tamanho (embrulhar a bacia numa manta ou usar esta bacia - tenho uma, oferecida por uma amiga, ajuda).
 
Com as mãos enfarinhadas, vá formando pequenas bolas - se quiser, coloque um quadrado de chocolate no interior de cada bola, rodando e fechando completamente a massa.
Coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal.
Tape com um pano e deixe levedar mais 20 ou 30 minutos.
 
Entretanto ligue o forno nos 180ºC.
Pincele os pãezinhos com ovo batido e leve ao forno durante cerca de 30 minutos ou até estarem bem dourados e cozidos. Se achar que estão a ficar escuros demasiado depressa, tape com folha de alumínio.
Para transformar os pães em arrufadas, polvilhe-os com açúcar em pó.
 
Mais receitas de pães de leite ou pães doces:
 
 
 
06
Abr18

Sobremesa de conforto [receita de tiramisù de castanha]

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Se há coisa de comer que deixa o provador-mor cá de casa feliz são crepes com doce de castanha. Mas a verdade é que há muito tempo - diria anos - que tal não aparecia nos menus cá de casa.

 

No último Dia do Pai, resolvi fazer uma surpresa: comprei o doce de castanha da Bonne Maman, que é delicioso, fiz uma massa de crepes com antecedência - tenho reparado que a massa de crepes, quando repousa algumas horas no frigorífico, fica ainda melhor -  e foi a nossa sobremesa no jantar desse dia, para grande alegria do homenageado.

 

Mas não gastei o frasco todo - na verdade, tinha comprado dois frascos, just in case 😆 - e como uma vez aberto não aguenta muito tempo, decidi que estava na hora de experimentar o tiramisù de castanha do blogue Coco e Baunilha, uma sobremesa linda, daquelas de criar água na boca, que também já tinha conquistado o Célio, do Sweet Gula.

 

Preparei o tiramisù a pensar no domingo de Páscoa, que passámos na aldeia. Só vos posso dizer que fez o maior sucesso. Como a Patrícia diz, é uma sobremesa do demo, o que, se pensarmos bem, torna-a numa escolha um pouco herege para a Páscoa, ehehehe.

 

Apesar de a ter fotografado, tinha pensado inicialmente em não publicá-la, pelo menos para já, uma vez que é uma sobremesa um pouco invernosa e já só ansiamos por sabores frescos de primavera. Mas já viram como está o tempo hoje? Pelo menos aqui no Norte, está daqueles dias em que só apetece ficar em casa, a preguiçar.

 

E parece que o fim de semana vai continuar assim, aborrecido. Por isso, aqui fica uma sugestão de 'sobremesa de conforto', para enganarmos este inverno que nunca mais acaba.

 

Com chuva ou sem chuva, com mais ou menos preguiça, bom fim de semana!

 

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TIRAMISÙ DE CASTANHA

Receita ligeiramente adaptada do blog Coco e Baunilha

 

Para uma forma quadrada de 20 cm

 

24 palitos La Reine

500 g de queijo mascarpone (2 embalagens)

3 ovos grandes

60 g de açúcar amarelo

1/2 colher de café de essência ou extrato de baunilha

Vinho do Porto qb

1 chávena almoçadeira de café frio

Cerca de 6 colheres de sopa de creme de castanha (usei da Bonne Maman)

 

Para a cobertura:

200 ml de natas para bater (1 pacote, que deve estar bem frio)

100 g de creme de castanha

Cacau em pó para polvilhar

 

Forre a forma com papel vegetal, de forma a sobrar papel à altura das laterais (usei duas tiras de papel), para que depois seja mais fácil desenformar (untar a forma com manteiga ajuda a colar o papel - ótima dica do Célio, do Sweet Gula).

Separe as gemas das claras.

Bata as gemas com o açúcar e o mascarpone.

Bata as claras em castelo e envolva-as na mistura anterior, com suavidade.

Disponha uma camada deste creme no fundo da forma (cerca de 1/3 do creme).

Junte um fio de vinho do Porto ao café e vá molhando aí os palitos La Reine, fazendo uma camada de palitos por cima do creme.

Espalhe cerca de 3 colheres de sopa do creme de castanha por cima dos palitos.

Faça mais uma camada do creme de ovos e mascarpone.

Repita com os palitos embebidos no café e o doce de castanha.

Termine com uma camada da mistura de ovos e mascarpone.

Alise e bata na bancada para retirar eventuais bolsas de ar.

Tape com película aderente e leve ao congelador (o ideal é fazer esta sobremesa de véspera).

 

Retire o tiramisù do congelador algumas horas antes de servir, desenformando-o e mantendo-o no frio.

Pouco antes de servir, prepare e aplique a cobertura: bata as natas em chantilly (sem açúcar).

Adicione suavemente o creme de castanha e disponha-o no tiramiù com a ajuda de um saco e bico pasteleiro.

Polvilhe com cacau em pó. E reze para conseguir comer só uma fatia!

 

29
Mar18

Caça às bolachas [receita de bolachas decoradas de Páscoa]

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Cá por casa, já não se fazem bolachas a várias mãos como antigamente. Os rapazes estão no início da adolescência e, se for para me ajudar a cozinhar, preferem que seja com um prato salgado ou uma sobremesa "a sério" e não a preparar guloseimas com um toque infantil. Mas eu sou uma romântica e uma naïf e continuo a adorar estes pequenos mimos.

 

Estas bolachas são uma receita que tinha preparado para o capítulo da Páscoa do meu livro, "Estava Tudo Ótimo!", mas este tema acabou por não entrar por limite de paginação. São tão simples de fazer e decorar - e ficam tão boas e estaladiças - que achei que mereciam ter lugar aqui no blogue. E também porque sei que muitos de vocês têm filhos pequenos em casa e fazer bolachas por estes dias de férias escolares - e de meteorologia pouco simpática - é um ótimo programa em família.

 

Aqui fica a receita, com os meus votos de Boa Páscoa!

 

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BOLACHINHAS DE MANTEIGA DECORADAS

 

Esta é a minha receita favorita para bolachas feitas com cortadores: consigo estender a massa bem fina e ficam muito estaladiças. Se quiser decorá-las de forma mais complexa, como por exemplo com pasta de açúcar ou uma camada completa de glacé, faça-as com mais espessura.

 

Para cerca de 60 bolachas de tamanho médio:

300 g de farinha de trigo sem fermento

150 g de açúcar amarelo

140 g de manteiga fria cortada aos pedaços

1 ovo L

 

Para decorar:

Confeitos de açúcar coloridos

Bisnaga de glacé/Lápis pasteleiro (ou um pouco de glacé caseiro)

Fio ou fitas para pendurar

 

Para além dos utensílios habituais para este tipo de receita (tabuleiro, rolo, cortadores... irá precisar de uma palhinha de plástico, para furar as bolachas)

 

Coloque todos os ingredientes numa taça e misture-os com as pontas dos dedos, até obter uma massa ligada.

Amasse só até que fique uniforme.

Divida em duas porções, dê-lhes a forma de um cilindro, envolva-as separadamente em película aderente e leve ao frigorífico cerca de 30 minutos.

Pré-aqueça o forno nos 180º.

Retire a massa do frigorífico e retire um dos discos.

Polvilhe com farinha a superfície de trabalho e o rolo, e estique a massa até obter a espessura que pretende. Para estas bolachas, a minha massa esticada tinha entre 1 mm e 1,5 mm de espessura.

Veja se a massa está a descolar bem da superfície de trabalho ou se tem de colocar mais farinha.

Faça as bolachas com os cortadores (passar o cortador por farinha ajuda a um corte mais limpo e a que a bolacha se destaque mais facilmente da massa) e coloque-as, ligeiramente separadas entre si, num tabuleiro antiaderente ou forrado com papel vegetal.

Irá precisar de pelo menos dois tabuleiros, para que enquanto um está no forno, possa preparar outra rodada de bolachas.

Com uma palhinha de bebida, fure as bolachas, retirando um pouco de massa no local onde vai querer passar a fita.

Leve ao forno cerca de 12 minutos (a primeira fornada é capaz de precisar de mais alguns minutos).

Retire quando estiverem a dourar dos lados e sentir que o centro também está cozido.

Com a ajuda de uma espátula, retire-as para uma rede e deixe arrefecer.

Proceda de igual maneira para a outra dose de massa ou então, pode congelá-la para usar mais tarde.

Antes de decorar, passe os pedaços de fio ou fita pelas bolachas.

Pegue com cuidado numa bolacha e espalhe pontinhos de glacé, colando nestes os confeitos de açúcar, intercalando as cores.

 

Se não tiver uma bisnaga de glacé ou um lápis pasteleiro (à venda nos hipermercados), faça um glacé rápido com açúcar em pó e sumo de limão e use um pincel fino. Repita com as restantes bolachas, deixando secar antes de guardar numa caixa hermética, caso não as vá usar logo.

 

Outras receitas de bolachas, igualmente fáceis e deliciosas:

 

22
Mar18

Perdoar o mal que faz pelo bem que sabe [receita de rolinhos caramelizados de canela e nozes]

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Lembram-se de ter elogiado muito a massa de brioche do post anterior? De que era pouco calórica face às receitas tradicionais? Pois, isso continua verdadeiro, desde que não façamos com ela rolinhos caramelizados de canela e nozes!

 

Os cinnamon rolls são uma criação de pastelaria muito fotogénica e apetecível, que inunda os feeds do Pinterest e do Instagram, sobretudo no outono e no inverno. E são uma das utilizações sugeridas no livro Artisan Bread in Five Minutes a Day para a massa de brioche de que vos falei no post anterior.

 

Como contei no post, esta é uma massa que para além de não dar trabalho a fazer, rende bastante e, por isso, depois da trança de brioche com chocolate e de uns pães e croissants que moldei com os meus rapazes - dos quais não há registo fotográfico - ainda tinha massa no frigorífico.

 

Não resisti a experimentar estes rolinhos caramelizados de canela e nozes, cujo caramelo é feito no forno ao mesmo tempo que cozem: são uns rolinhos de canela invertidos, que no final dispensam qualquer outra cobertura. O aroma que vai saindo do forno é irresistível e o sabor não fica atrás.

 

Se são o lanche mais saudável do mundo? Não. É mesmo daqueles casos em que a expressão popular "perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe" assenta que nem uma luva. E como "uma vez não são vezes", aqui fica a receita para que vocês também possam pecar um bocadinho 😆

 

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ROLINHOS CARAMELIZADOS DE CANELA E NOZES (CARAMEL CINNAMON ROLLS)

Ligeiramente adaptado do livro Artisan Bread in Five MInutes a Day

Faz cerca de 8 rolos

 

1 porção de massa de brioche do tamanho de uma toranja (receita da massa de brioche aqui)

 

Para o caramelo

5 colheres de sopa de manteiga amolecida

Cerca de 30 metades de noz (a receita original pede nozes pecan)

1/2 chávena de açúcar mascavado (usei mascavado escuro e julgo que foi por isso que o caramelo ganhou esta cor intensa)

 

Para o recheio

4 colheres de sopa de manteiga bastante amolecida

1/4 de chávena de açúcar amarelo

1 colher de chá de canela em pó

1 pitada de noz moscada

1 mão-cheia de nozes grosseiramente picadas

 

Comece por fazer o topping de caramelo: misture bem a manteiga com o açúcar e barre este creme pelo fundo de uma forma redonda com cerca de 22 cm de diâmetro, espalhando depois as metades de nozes (não use uma forma de fundo amovível, para evitar que no forno o caramelo escorra pelas ranhuras). Reserve.

 

Partindo do princípio que tem a sua massa de brioche sem amassar no frigorífico, ou que acabou de fazê-la e já repousou o período inicial, destape o recipiente, polvilhe a superfície da massa com um pouco de farinha e retire a porção indicada de massa. Se ainda sobrar massa, volte a tapar o recipiente (pousando a tampa e não fechando hermeticamente) e guarde-o no frio.

 

Faça uma bola com as mãos e, numa superfície de trabalho muito bem enfarinhada, estique a massa até obter um retângulo com uma espessura de cerca 3 mm. Pode ter que enfarinhar o rolo e ir enfarinhando a superfície, para a massa não colar.

 

Agora prepare o recheio: misture bem a manteiga com o açúcar e as especiarias, barre a massa com esta mistura e polvilhe com as nozes picadas. Forme um rolo, enrolando a partir de um dos lados mais compridos. Parta em 8 fatias iguais e acomode-as no centro da forma (vai sobrar muito espaço à volta, mas os rolos irão crescer bastante, tanto durante a levedura como no forno).

 

Tape com película aderente e reserve num local ameno até ficar com cerca do dobro do tamanho (se estiver frio, pode demorar umas duas horas - para acelerar o processo, pode embrulhar a forma numa manta polar).

 

Pré-aqueça o forno nos 180º. Retire a película da forma e leve ao forno durante cerca de 35 minutos ou até estar bem dourado.

 

Retire do forno; com cuidado para não se queimar, passe uma faca à volta e pelo fundo dos rolos para os soltar, e desenforme, com cuidado para não se queimar, para o prato de servir. Deixe arrefecer um pouco antes de provar!

 

Outras receitas gulosas:

15
Mar18

Dos meus livros de cozinha favoritos [e a melhor receita de massa de brioche]

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Tenho um livro de cozinha, já com muitos anos, a cujas páginas regresso regularmente com prazer. E é curioso porque nem sequer é dos livros mais bonitos que tenho. Confesso que às vezes julgo os livros pela capa e pelo seu design interior, mas este é um livro muito simples e básico a esse nível, quase não tem imagens. Mas o seu conteúdo é um verdadeiro tesouro no que diz respeito a receitas de pão e derivados. É o Artisan Bread in 5 minutes a day, que parte do conceito da massa de pão que não é amassada, o famoso no-knead bread.

 

Já por várias vezes repliquei receitas do livro - estão linkadas no final do post -  e nunca saí desapontada. Mas a verdade é que nunca tinha experimentado as versões mais "adocicadas", como o brioche. E coloco "adocicadas" entre aspas, porque uma das coisas que me surpreendeu nesta receita é que não leva açúcar enquanto ingrediente, apenas uma pequena quantidade de mel.

 

De entre os meus guilty pleasures - sim, tenho vários, shame on me! - estão os pães de leite e croissants, que como só muito de vez em quando por razões óbvias. Sempre que me deparo com uma receita destas iguarias, encho-me de vontade de ir para a cozinha, mas quando acabo de ler todos os passos, fico desanimada e acabo por desistir. Esta semana, deu-me para tirar o livro da prateleira e, um pouco à sorte, fui parar à página da receita de brioche.

 

Mais uma vez, a receita não desiludiu. Pelo contrário, superou as minhas expectativas. E é tão simples, mas tão simples de fazer, que vai passar a clássico cá em casa, na hora de dar de lanchar - ou brunchar - à família e aos amigos.

 

A única coisa que a massa exige, e nem sequer é muito, é tempo de espera. Quase nada de trabalho manual, nada de amassar, nada de ganchos e batedeira, apenas 5 minutos a preparar e a misturar os ingredientes.

 

À semelhança das outras receitas do livro, depois das duas horas iniciais em que a massa fica a levedar à temperatura ambiente, guarda-se no frigorífico. Esta pode usar-se nos próximos cinco dias, uma massa de pão sem ovos, dura até 15 dias. Se preferir, pode depois do repouso inicial congelar a massa - aconselho que o faça em porções do tamanho de uma toranja - descongelando-a com antecedência no frigorífico quando for usá-la.

 

Quando quiser cozer, e partindo do princípio que tem a sua massa no frigorífico, só tem de retirar uma porção do recipiente, dar-lhe a forma pretendida e deixá-la levedar entre 1h30 a 2h30, dependendo da temperatura ambiente. 

 

Depois é só levar ao forno e voilá: brioche caseiro à sua mesa. Quem diz brioche, diz croissants, regueifa doce, rolinhos de canela ou até pão de hambúrguer: as possibilidades são infinitas! Como ainda tenho massa no frigorífico, nos próximos posts mostrarei outras formas de usar esta receita todo-o-terreno. Se por acaso experimentarem-na, digam-me como correu!

 

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MASSA DE BRIOCHE SEM AMASSAR - TRANÇA DE BRIOCHE COM CHOCOLATE

Ligeiramente adaptado do livro Artisan Bread in Five Minutes a Day

 

Massa base:

500 g de farinha de trigo 55 sem fermento

1 pacotinho de fermento Fermipan

185 ml de água morna

1 pitada de sal

4 ovos ligeiramente batidos

1/4 de chávena* de mel de rosmaninho (ou de um mel de sabor neutro)

180 g de manteiga derretida

 

*250 ml de capacidade

 

Para a trança de brioche com chocolate

1 porção do tamanho de uma toranja de massa de brioche

50 g de chocolate negro picado ou de pepitas de chocolate

Farinha para trabalhar a massa

Leite ou ovo batido para pincelar

Açúcar mascavado para polvilhar por cima (opcional)

 

Numa taça que tenha tampa, junte à água morna o fermento, o sal, os ovos, o mel e a manteiga derretida.

Junte a farinha aos poucos, com a ajuda de uma colher de metal.

Não mexa demasiado, só até a farinha estar toda incorporada.

Coloque a tampa do recipiente, mas sem fechar hermeticamente e reserve à temperatura ambiente durante duas horas.

A partir daqui, pode colocar toda a massa no frigorífico, mantendo o recipiente tapado (com a tampa apenas pousada e não fechado hermeticamente); congelar em porções, ou fazer logo um pão, como o que se segue.

 

Para a trança de brioche com chocolate (descrição atualizada!)

Polvilhe a superfície da massa reservada com farinha, para que seja mais fácil retirar uma porção com a dimensão aproximada de uma toranja.

Com as mãos enfarinhadas, dê-lhe a forma de uma bola, alisando a superfície e empurrando a massa para o fundo a toda a volta, rodando a massa.

Polvilhe com bastante farinha a superfície de trabalho e estique a massa num retângulo, pode ter que ir polvilhando para a massa não agarrar ao rolo. Corte em duas partes ao comprimento e divida o chocolate pelos dois pedaços de massa, deixando margens à volta. Enrole cada um dos retângulos, una-os em forma de trança dupla, una bem as pontas e coloque-a num tabuleiro forrado com papel vegetal e polvilhado com farinha.

Tape com um pano de cozinha e deixe levedar num local ameno até ficar com cerca do dobro do volume, o que deve demorar de 1h30 a 2h30.

Perto do final da levedura, ligue o forno nos 180º.

Pincele a trança com leite (eu polvilhei depois com açúcar mascavado mas concluí que se não o tivesse feito teria ficado ainda mais bonito, não acrescenta muito).

Leve ao forno durante cerca de 35 minutos, a uma altura média, acompanhado de uma panela ou tabuleiro com água a ferver, que deverá colocar na base do forno. Se achar que a trança está a dourar muito depressa, cubra com alumínio.

Retire do forno, deixe arrefecer um pouco e delicie-se!

 

Notas:

- Esta é uma adaptação da receita original para metade da dose, que pede, por exemplo, 8 ovos. Mesmo assim, rende bastante e uma dose como a que descrevo acima deve dar para, no mínimo, três pães como este.

- Normalmente as receitas de brioche pedem mais manteiga e açúcar, por isso acho esta receita bastante equilibrada: o adoçante é mel e a quantidade de manteiga, se pensarmos na quantidade de pães e porções individuais que uma dose destas permite fazer, é bastante comedida.

- Apesar das 2 horas iniciais para levedar, mais o tempo final de repouso, parecer muito, é muito menos do que as receitas de brioche tradicionais pedem: algumas chegam a pedir que a massa repouse 24 horas!

- O recipiente com água a ferver no forno não faz parte da receita original mas é o truque que eu costumo usar quando cozo pão, para garantir humidade e uma crosta deliciosa. Neste tipo de pão não é algo essencial, mas eu acho que ajudou a uma crosta mais saborosa.

 

Mais receitas de pão sem amassar:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

09
Mar18

Cook for Syria [Receita de almôndegas de frango e amêndoa no forno]

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Nos últimos dias, as notícias sobre a terrível situação que se vive na Síria foram particularmente chocantes. Segundo um balanço noticiado no início desta semana, os ataques que têm assolado Ghouta Oriental desde o dia 22 de fevereiro já mataram 800 civis, sendo que 177 eram crianças. A somar às centenas de milhares de mortos e refugiados desde que o conflito começou. A somar aos que morreram ontem e que vão continuar a morrer amanhã. Uma guerra hedionda que parece impossível estar a acontecer em pleno século XXI.

 

É impossível ficar indiferente a este drama, ainda que o sentimento seja de impotência. E de alívio egoísta: que sortudos somos em ter nascido num país pacífico. Nem sequer ouso imaginar o sofrimento das famílias sírias ao longo dos últimos sete anos. Famílias para quem o simples ato de cozinhar e partilhar uma refeição tornou-se um luxo inacessível: por falta de condições, por falta de alimentos ou porque simplesmente já não há família.

 

Apesar de só os políticos e os diretamente envolvidos no conflito sírio poderem pôr-lhe um fim, há pequenos gestos de solidariedade que podem contribuir para apoiar as vitimas e foi nisso que pensaram Clerkenwell Boy - um famoso foodie e instagrammer australiano a viver em Londres, e Serena Guen, fundadora da revista Suitcase. Juntos idealizaram o projeto #cookforsyria, tendo mobilizado para a causa uma montanha de chefs e bloggers de cozinha. O livro Cook for Syria é a face mais visível dessa iniciativa, cujo resultado das vendas reverte para o programa de ajuda humanitária na Síria da Unicef.

 

Quando estive em Londres, em novembro passado, tive a sorte de passar pelo Old Spitalfileds Market no momento em que estava a decorrer um evento ligado ao projeto, com venda de bolos e do livro. Comprei um exemplar e achei que por estes dias fazia todo o sentido explorá-lo e homenagear a cozinha síria, que é tão rica e aromática, com tantos ingredientes de que eu gosto.

 

As receitas do livro não são necessariamente receitas tradicionais sírias, mas sim receitas inspiradas na gastronomia síria e nos seus ingredientes, criadas por dezenas de bloggers de cozinha e chefs - há até uma receita do chef português radicado em Londres Nuno Mendes.

 

Escolhi para primeira experiência umas almôndegas de frango e amêndoa, servidas com um molho feito com manteiga de amêndoa - que fiz pela primeira vez - e caldo de galinha. Um contributo para o livro de Ameelia Freer, que foi um sucesso cá em casa.

 

Antes de passarmos à receita, queria só deixar mais duas sugestões de como apoiar o povo sírio: comprando outro livro solidário, este disponível em português: "Uma Sopa para a Síria" ou indo ao restaurante Mezze, em Lisboa, um interessante projeto da Associação Pão a Pão que visa a integração de refugiados sírios e do Médio Oriente no nosso país.

 

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ALMÔNDEGAS DE FRANGO E AMÊNDOA NO FORNO [COM MOLHO DE MANTEIGA DE AMÊNDOA]

Ligeiramente adaptado do livro #CookForSyria

 

Para o molho de amêndoa

150 ml de caldo de galinha quente*

100 g de manteiga de amêndoa**

Raspa de 1 limão

Sal qb

 

Para as almôndegas (25-30 unidades)

500 g de carne de coxas e pernas de frango*** picadas no robot de cozinha

(equivalente a umas 4 pernas completas)

1 ovo batido

1/2 talo fino de alho francês picado 

4 colheres de sopa de farinha de amêndoa (moí miolo de amêndoa, parte dela com pele, na Bimby)

2 colheres de sopa de coentros frescos picados

1 colher de chá de coentros secos

1 colher de chá de cominhos moídos

Pimenta preta acabada de moer qb

Sal qb

Azeite para pincelar

 

Comece por preparar o molho: junte lentamente o caldo quente à manteiga de amêndoa. No início vai parecer que a manteiga está a engrossar, mas continue a adicionar caldo e a mexer com um batedor de varas, até ficar com a consistência macia de natas espesssas. Junte-lhe a raspa do limão, retifique o sal se achar necessário e reserve.

 

Para as almôndegas, ligue o forno nos 200º e forre um tabuleiro com papel vegetal.

Junte todos os ingredientes numa taça grande. Humedeça as mãos e faça bolinhas do tamanho de brigadeiros.

Disponha-as no tabuleiro e pincele-as com azeite.

Leve ao forno durante cerca de 15-20 minutos.

Entretanto aqueça de novo o molho, mas lentamente: se aquecer rapidamente a alta temperatura, o molho irá transformar-se numa pasta!

Sirva bem quente com uma salada de alfaces ou legumes verdes cozidos e arroz branco.

 

* Eu usei os ossos das pernas e das coxas do frango para fazer o caldo, juntando numa panela grande 2 cenouras partidas aos pedaços, 1 folha de louro, 1/2 talo de alho-francês, 1 cebola, 2 dentes de alho, um raminho de salsa, um fio de azeite, pimenta preta qb, sal e sal de aipo qb. Cobri com água e deixei cozer lentamente até ter reduzido bastante, aí umas duas horas. Coei e guardei num frasco - com o que sobrou vou fazer um risotto.

 

** Para fazer a manteiga de amênda, coloque no robot de cozinha duas chávenas de miolo de amêndoa sem pele, levemente tostado. Triture, empurrando de vez em quando para baixo o que ficar agarrado às paredes do copo. O processo deve demorar uns 15-20 minutos. Está pronto quando atingir uma textura bem macia. Pode juntar um pouco de azeite ou óleo vegetal, para ajudar a triturar melhor e ficar mais cremoso. Tempere com sal, volte a triturar, retire e reserve. 

 

*** Pode fazer as almôndegas com peitos de frango em vez de pernas completas, no entanto, para além da carne destas ser mais suculenta, pode aproveitar os ossos para fazer o caldo, como expliquei em cima; para não ter o trabalho que eu tive de desossar as pernas, peça no talho para o fazerem e não se esqueça de pedir os ossos ;)

 

Mais receitas inspiradas na gastronomia de outros países:

 

Teresa Rebelo

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